O Dia Internacional da Mulher não é considerado feriado no Brasil, mesmo que represente um marco na luta histórica das mulheres por igualdade de direitos. Isso porque a data não está presente na lista de feriados oficiais estabelecidos pela Lei nº 662/1949.
Apesar disso, estados e municípios têm a liberdade de decretar ponto facultativo ou criar legislações locais. Mesmo que o dia 8 de março caia um domingo, como ocorre este ano, a data é considerada feriado no Acre, por exemplo.
Mesmo não garantindo uma folga neste ano, a data é — quase sempre — conhecida por proporcionar um momento de conscientização e reconhecimento da luta por igualdade de gênero.
O dia 8 de Março é um marco da luta por igualdade de gênero ao redor do mundo. Nesse mesmo dia em 1917, cerca de 90 mil trabalhadoras se reuniram para ir às ruas na Rússia em um protesto, apelidado de “Pão e Paz“.
Elas reivindicavam melhores condições de trabalho e de vida, além de protestar contra a fome, a Primeira Guerra Mundial, que ainda estava em andamento, e as ações de Czar Nicolau II, que apenas alguns meses depois acabaria deposto em meio à revolução que levaria à criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Ainda que existam outras teorias da origem da data, como o incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist Company, em 25 de março de 1911, a história ‘oficial’ para homenagem aponta para as operárias russas.
Com objetivo de homenagear a luta das mulheres, em 1975, a ONU definiu o Dia Internacional da Mulher como 8 de março.
A data carrega uma tradição, alguns presenteiam mulheres com flores, chocolates ou até mesmo um abraço. Outros com… mais trabalho?
O McDonald’s causou controvérsia com sua campanha “Força Feminina”, em 2018. Para celebrar o momento especial, a empresa do Ronald McDonald optou por transferir homens para outras unidades, fazendo com que apenas mulheres trabalhassem em certos locais.
Na época, a polêmica se deu por conta da má explicação do projeto. Os internautas entenderam que os homens da rede teriam ganhado folga, no lugar das mulheres.
Apesar de o acontecimento ter sido, aparentemente, uma escolha peculiar da companhia, não é a primeira e única vez que algo do tipo acontece — e a situação está longe de ser a maior “pedra no sapato” das mulheres.
Em 2025, o Brasil registrou número recorde de feminicídios, o que representa quatro mulheres assassinadas por dia, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Foram 1.470 casos entre janeiro e dezembro no ano passado, mas esses dados ainda podem aumentar, uma vez que os dados de dezembro do estado de São Paulo não foram atualizados na base do governo federal.
Nos últimos dez anos, quando a tipificação foi criada e os dados começaram a ser coletados, quase 14 mil mulheres sofreram feminicídio no Brasil.
Vale ressaltar que além da coleta de dados recentes, os mecanismos de combate à violência contra a mulher também são novos. Apenas em 7 de agosto de 2006 a Lei n.º 11.340, também conhecida por Lei Maria da Penha, foi criada para proteção à mulher contra a violência doméstica.
“A vida começa quando a violência acaba”, disse Maria da Penha, farmacêutica que sofreu violência do marido por anos e foi homenageada com o nome na lei.