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Índice mundial de preços de contêineres sobe 3%, após sete semanas de queda
5 de março de 2026
Além do petróleo, outro fator pode fazer pressão na inflação brasileira e desafiar juros
5 de março de 2026
Published by on 5 de março de 2026
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A XP Investimentos manteve a expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de cortes de juros na próxima reunião, neste mês, com uma redução de 0,50 ponto percentual na Selic, dando início a uma sequência de afrouxamento monetário ao longo de 2026. A projeção da casa é de cinco cortes consecutivos de mesma magnitude, o que levaria a taxa básica para 12,50% ao fim deste ano.

Segundo o relatório produzido por Caio Megale, economista da casa, o cenário atual permite o início do processo de flexibilização. Apesar da leitura mais pressionada do IPCA-15 de fevereiro, a avaliação é de que a dinâmica inflacionária segue relativamente benigna no curto prazo, enquanto a atividade econômica, que perdeu força no segundo semestre de 2025, já apresenta sinais de recuperação gradual.

No entanto, Megale avalia que é esperado que o BC freie os cortes no segundo semestre, de olho, principalmente, no cenário político. A autoridade monetária deve manter um tom cauteloso diante do volume de estímulos fiscais previstos para este ano e das incertezas em torno da dinâmica da taxa de câmbio.

“Nosso cenário-base assume que o próximo governo implementará algumas medidas pelo lado das despesas, mas
não em escala suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB. Nesse contexto, vemos espaço para o banco central retomar o ciclo de flexibilização no próximo ano, porém de forma limitada”, avalia.

Além disso, um dos principais riscos no radar é o avanço do preço do petróleo em meio às tensões geopolíticas, especialmente após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

De acordo com a XP, o barril chegou a ficar cerca de 30% acima da hipótese-base da casa, que considerava o petróleo a US$ 60, alcançando níveis próximos de US$ 80. Caso a alta se mostre persistente, o banco central poderia optar por iniciar o ciclo de forma mais gradual, com um corte da Selic menor, de 0,25 ponto percentual.

O economista reforça que o balanço de riscos para a inflação tende a se tornar mais incerto no segundo semestre. A combinação de pressões climáticas sobre alimentos, maior volatilidade cambial em um ambiente de eleições presidenciais e estímulos fiscais pode dificultar a convergência da inflação no horizonte mais longo.

Mesmo assim, no cenário-base da XP, a taxa básica terminaria 2026 em 12,50%, e 2027 em 11%. Ainda assim, em termos reais, o juro permaneceria próximo de 8%, acima do nível considerado neutro pela casa, estimado em cerca de 5,5%, refletindo os desafios fiscais esperados para os próximos anos.

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