O mercado espera amplamente que a Selic comece a cair em 2026, provavelmente em março, mas a Adam Capital vê boas chances de esse cenário não se concretizar. Em carta mensal, a gestora afirma projeta que a taxa Selic deve permanecer em torno de 15% ao longo de todo o ano de 2026, em um cenário-base ao qual atribui 60% de probabilidade.
Segundo a casa, o espaço para cortes é limitado por pressões domésticas persistentes, especialmente em serviços, salários e demanda. A casa avalia que “a desinflação recente foi fortemente ajudada por choques favoráveis, sobretudo cambiais”, e que, com a dissipação desses choques, a inflação tende a revelar um núcleo mais resistente.
A Adam também diz que o Banco Central tem subestimado o grau de pressão da demanda sobre a inflação, como mostram revisões sucessivas do hiato do produto ao longo de 2025.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção caiu 1,2%
A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-DI
Para 2026, a gestora projeta impulso fiscal e parafiscal próximo de 2% do PIB, com efeitos diretos sobre o consumo das famílias. O estímulo deve ocorrer em um ambiente de mercado de trabalho aquecido, desemprego em mínimas e crescimento fraco da produtividade.
Nesse cenário, a Adam avalia que a economia seguirá operando próxima do seu limite não inflacionário, reduzindo o espaço para afrouxamento monetário.
“Se o Banco Central cortar a Selic, vemos uma chance elevada de frustração”, afirma a carta.
A carta revisita as projeções feitas no fim de 2024 e aponta que a principal aposta para o Brasil se confirmou: a Selic encerrou 2025 em 15%, exatamente no nível projetado pela gestora.
“A nossa projeção de Selic em dezembro de 2024 era de 15% para o final de 2025, precisamente o nível em que encerrou o ano”, diz o texto.
Por outro lado, a Adam reconhece erro relevante no câmbio, o que impactou a leitura da inflação cheia. Segundo a gestora, a queda do IPCA em 12 meses foi ancorada pela valorização do real. Ao excluir esse efeito, a inflação subjacente mostra aceleração, especialmente nos núcleos ligados à demanda.
A Adam Capital não destoou do ano difícil para fundos macro no Brasil. Sua estratégia macro voltou a ficar abaixo do CDI em 2025, acumulando 5,03% no ano, contra 14,32% do CDI no mesmo período. Ao longo dos 12 meses, o desempenho foi marcado por forte volatilidade e uma sequência de resultados negativos que impediram a aproximação do benchmark, apesar de alguns meses de recuperação pontual.
No acumulado desde o início da série, o fundo soma 118,46%, inferior aos 134,03% do CDI.
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