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Por que Brasil do baixo desemprego é também o do endividamento recorde das famílias?
30 de janeiro de 2026
Indicação de Trump para Fed deve diminuir incerteza e mercados olham para Kevin Warsh
30 de janeiro de 2026
Published by on 30 de janeiro de 2026
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O saldo entre contratações e demissões mostrou que o Brasil criou 1,3 milhão de empregos no ano passado, o menor crescimento do mercado de trabalho desde a pandemia.

Os dados do Caged apresentados ontem pelo Ministério do Trabalho são mais uma evidência da desaceleração da economia em meio ao aperto monetário provocado pelo Banco Central para combater a inflação e que tem como efeito colateral a redução do consumo e dos investimentos para a expansão de negócios.

O resultado representa um crescimento de 2,71% em relação ao estoque de empregos de 2024. No ano retrasado, por exemplo, houve um crescimento de 1,7 milhão de vagas criadas (3,69%).

Embora a desaceleração já estivesse em curso, a geração de empregos em dezembro ficou ainda abaixo do previsto pelos economistas.

Janaína Feijó, pesquisadora do FGV Ibre, explica que a expectativa já era de uma geração de empregos em 2025 menor que a de 2024, quando o mercado de trabalho se mostrava ainda bastante resiliente à alta de juros, que paulatinamente chegou ao patamar atual de 15% ao ano.

Mesmo considerando que dezembro tem um pico sazonal de demissões, com a dispensa dos postos temporários da temporada de compras do Natal, o resultado ainda veio mais fraco do que as projeções da média dos analistas.

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Esse cenário, segundo os especialistas, evidencia um sinal mais claro dos efeitos da política monetária do BC chegando no mercado de trabalho.

— Em dezembro há ajustes nas empresas, algumas demissões, então a gente já esperava um saldo negativo, mas não nessa magnitude — explicou Feijó. — A taxa de juros alta desestimula a contratação de novas pessoas porque acaba sendo mais rentável para quem está empreendendo investir esse dinheiro. Mas temos outros elementos. Se a economia vai mal, os investidores e empreendedores também tendem a postergar a expansão dos negócios.

Os principais setores que contribuíram para a queda do saldo de vagas foram a indústria e comércio, que vieram apresentando desaceleração em suas atividades ao longo de 2025.

— A indústria já vinha há um tempo performando mal, apresentando saldo negativo. Isso começou a acontecer mais ou menos em agosto e setembro e estava sendo relacionado ao tarifaço. Mas hoje não temos tantos efeitos do tarifaço e ainda assim a indústria continua performando mal. Sabemos que a taxa de juros influencia muito em vários segmentos da indústria, como também a política externa — analisa Feijó.

A pesquisadora explica que os efeitos dos juros elevados e da desaceleração da economia acabam aparecendo antes no Caged do que na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do IBGE, já que, além de se concentrar nas vagas formais, ele também observa o resultado mês a mês, enquanto a pesquisa do instituto analisa o último trimestre móvel e acaba diluindo alguns efeitos.

Por esse motivo, ainda será possível ver um desemprego em níveis bem baixos na divulgação da taxa de desemprego do país na próxima sexta, como esperam os analistas.

Para 2026, a expectativa é um mercado de trabalho agregado, ainda com impactos dos juros altos, mas com alguns fatores que podem contribuir para impulsionar a economia, como os estímulos fiscais que estão previstos para o primeiro semestre, além de copa do mundo e eleições.

André Valério, economista sênior do Inter, concorda que o Caged é uma evidência de que a política monetária está contribuindo para desacelerar a economia. Ele acredita que os resultados vieram em linha com o cenário projetado pelo Copom na reunião de ontem e com a perspectiva do início do corte de juros em março.

“Esperamos um corte inicial de 50 pontos base, mas se a tendência de desaceleração da atividade e emprego se intensificar até a próxima reunião, juntamente com a continuidade da apreciação do real, podemos ver o Copom discutir um corte mais agressivo”, comentou o economista, em relatório.

The post Caged mostra freio na geração de empregos: o que isso tem a ver com os juros? appeared first on InfoMoney.

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