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Taxa de desemprego atinge menor taxa desde fevereiro de 2015 e mostra resiliência do mercado de trabalho, apontam economistas
29 de setembro de 2023
Campos Neto diz que governo acerta ao perseguir meta fiscal, mesmo que mercado não acredite
29 de setembro de 2023
Published by on 29 de setembro de 2023
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Os representantes das construtoras ganharam um aliado de peso no seu pleito de redução do compulsório bancário como forma de irrigar os financiamentos imobiliários. A Caixa entregou no início desta semana essa mesma proposta ao Ministério da Fazenda, e, segundo a presidente do banco, Rita Serrano, a discussão vai envolver também o Banco Central (BC). Essa demanda vem sendo defendida pelas empresas desde o começo do ano, mas sem acolhimento da autoridade monetária.

“É necessário repensar o compulsório. Propusemos liberar o compulsório desde que vinculado ao financiamento imobiliário”, disse Serrano na terça-feira (26), ao participar de um fórum organizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e que reuniu mais de 600 agentes do mercado na capital paulista.

A presidente da Caixa admitiu que o crédito imobiliário tem sido afetado pela perda de recursos da caderneta de poupança, que é a principal fonte de dinheiro para abastecer os empréstimos destinados à compra e à construção de moradias. “Já listei para o presidente do Banco Central [Roberto Campos Neto] a necessidade de repensar o produto poupança para que volte a ser atrativo”, acrescentou.

“A notícia do apoio da Caixa é muito boa”, disse o presidente da Abrainc, Luiz França. “O pedido partindo de um agente desse porte, líder em crédito imobiliário, engrossa a demanda existente no mercado.”

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Pelas regras do Banco Central, 65% dos recursos da caderneta de poupança vão para os financiamentos imobiliários, enquanto 20% são guardados como colchão de liquidez na forma de depósitos compulsórios. Os 15% restantes são de uso livre pelas instituições.

A proposta em debate é de diminuir em 5% o compulsório, liberando os recursos para os bancos concederem crédito imobiliário. Isso poderia injetar R$ 38 bilhões em recursos no mercado, pelos cálculos do setor. O tema é defendido oficialmente por Abrainc, Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Associação das Empresas de Loteamento (Aelo), entre outros representantes setoriais.

Os financiamentos imobiliários com recursos das cadernetas estão em queda. No mês de agosto, atingiram R$ 13 bilhões, recuo de 22% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já no acumulado de janeiro a agosto, a baixa foi de 16%, chegando a R$ 100 bilhões. Por sua vez, as cadernetas tiveram mais saques do que depósitos ao longo do ano, com perda de R$ 80 bilhões.

Tramitação

A proposta de mudança nas regras do compulsório foi levada ao BC pelo setor em março – conforme revelou o Estadão/Broadcast. No entanto, não houve apoio do BC porque a principal preocupação era diminuir a liquidez da economia a fim de combater a inflação. Só que esse cenário já passou, diz França. “Liberar o compulsório lá trás poderia até soar como uma medida esquisita. Agora não. O juro está caindo, estamos vendo um afrouxamento. E o dinheiro vai ser usado para financiar o mercado imobiliário, que movimenta a economia e gera emprego”, argumentou.

O presidente da Abrainc defendeu ainda que haja uma diversificação dos instrumentos de crédito imobiliário para resolver o problema da falta de recursos de forma permanente. O ideal seria avançar na criação de um instrumento que ofereça juros baixos para os compradores de imóveis da média renda – que são atendidos hoje pelas linhas com recursos da poupança. O setor conta com opções de mercado como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs), mas, em geral, a taxa de juros desses instrumentos está atrelada ao CDI, o que encarece a tomada de recursos para novos empreendimentos.

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