A Reuters informou na última quarta-feira (15) que a China relatou alguns casos da chamada peste suína africana (PSA) após o feriado do Ano Novo Chinês em janeiro.
“A doença, conhecida por extinguir aproximadamente 30% da produção de carne suína na China durante o último surto entre os anos de 2019 e 2020, tem uma alta taxa de mortalidade e foi um dos eventos mais transformadores no comércio global de proteínas na história recente”, comentou Itaú BBA, em relatório.
Analistas lembraram que a China levou cerca de quatro anos para recuperar sua produção de carne suína aos níveis pré-PSA. A produção de carne de porco no país caiu 11 milhões de toneladas em 2019 e 6 milhões de toneladas em 2020, voltando a seu nível de produção pré-PSA apenas em 2022, mas os preços da proteína na região permaneceram altos ao longo o período de recuperação.
Apesar do histórico preocupante, o BBA acredita que é muito cedo para assumir que haverá consequências semelhantes às da pandemia de PSA de 2019. Isso porque, segundo o banco, o fluxo restrito de notícias atual pode indicar que este é um surto controlado e, portanto, pode ser muito cedo para assumir que o impacto será semelhante em magnitude à crise anterior em termos de mortalidade e inflação de preços de proteínas.
Além disso, a reportagem da Reuters também destacou que a doença pode afetar até 10% da produção de carne suína chinesa, contra uma queda de 30% na produção de carne suína entre 2018 e 2020. Embora pareça justo supor que este será um tema quente de discussão entre os investidores, se confirmado, o banco disse ter motivos para acreditar que os impactos serão mais brandos do que durante o último surto de PSA no país, e não prevê grandes mudanças para as empresas de proteína sob sua cobertura por enquanto.
Outro ponto apontando pelo BBA é elevação dos padrões sanitários chineses para o processo de produção desde a última pandemia, mitigando parte do potencial impacto na produção no país.
Durante a última pandemia, a produção chinesa de carne suína concentrava-se principalmente em fazendas de pequena escala operadas por famílias. No entanto, a consolidação em direção a menos participantes maiores acelerou significativamente após a crise da PSA. Além disso, dados os altos custos associados a regulamentações e biossegurança, juntamente com as notáveis vantagens de escala do setor, o mercado tende naturalmente a evoluir para menos, players maiores.
Em caso de uma intensificação do surto, o BBA disse preferir mais uma vez exposição por meio de exportadores de carne bovina, em vez de carne suína ou de aves. Dessa forma, mantém a preferência pela JBS (JBSS3) e Minerva (BEEF3) ante outros nomes, já que essas empresas ainda estão sendo negociadas com uma avaliação atraente.
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