O diretor de política monetária do Banco Central do Brasil, Nilton David, afirmou nesta quarta-feira (5) que a autoridade monetária deve agir com cautela diante do aumento das incertezas globais, especialmente após a escalada das tensões no Oriente Médio.
Segundo ele, a postura do BC exige “serenidade”, mas isso não significa falta de ação. “Serenidade não significa inação, significa tirar emoção do tratamento dos dados”, afirmou durante participação na Latam Macro Conference 2026, evento organizado pelo Goldman Sachs, em São Paulo.
Nilton destacou que o conflito no Oriente Médio traz dúvidas relevantes para o cenário econômico, principalmente por causa dos possíveis impactos do petróleo sobre a inflação. “É natural pensar que quando o petróleo sobe há pressão inflacionária, mas por quanto tempo? Não sabemos a duração”, disse.
Para o diretor, caso o choque geopolítico tivesse ocorrido há alguns meses, o ambiente seria mais complexo para a condução da política monetária.
No momento, ele avalia que já é possível observar uma inflexão da atividade econômica, com o nível de atividade retornando ao seu potencial. Ainda assim, o cenário exige cautela na interpretação dos dados e no ritmo das decisões, disse.
O diretor também relembrou que, após a queda da volatilidade do real e dos juros em dezembro, houve questionamentos sobre a comunicação do BC. Em janeiro, porém, segundo ele, os dados passaram a evoluir de forma mais próxima do esperado, reforçando a percepção de que o próximo movimento da autoridade monetária seria apenas de “calibração”.
Nilton afirmou ainda que o Banco Central não reage a dados isolados ou ruídos de curto prazo. Ele reforçou que o horizonte relevante para a política monetária segue sendo de cerca de 18 meses.
*Com informações da Broadcast