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Published by on 6 de janeiro de 2026
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Prever o tempo é uma tarefa complexa. Até os profissionais erram com alguma frequência. Agora imagine trabalhar como meteorologia em um país continental como o Brasil, com florestas, um oceano, cidades adensadas e extremos climáticos cada vez mais frequentes. Pois é justamente aí que entra Jaci, o novo supercomputador inaugurado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que marca uma virada de chave na supercomputação científica nacional.  

O Jaci não é apenas uma máquina mais potente. Ele substitui o antigo modelo, chamado Tupã, e simboliza uma nova era para a previsão do tempo, a modelagem do clima e o monitoramento ambiental no país. 

Batizado por votação popular, o nome inspirado na mitologia indígena. Nela, Jaci é a lua — aquela que regula ciclos, observa de cima e ajuda a organizar o tempo da vida na Terra. 

Novas tecnologias climáticas 

Supercomputadores não impressionam pelo tamanho físico, mas pelo que conseguem antecipar. Com desempenho superior ao do sistema anterior, o Jaci permitirá previsões mais rápidas e detalhadas, aumentando a precisão dos modelos que simulam chuvas intensas, ondas de calor, secas prolongadas e outros fenômenos cada vez mais frequentes.  

Isso significa ganhar tempo e, em casos extremos, ganhar vidas. Quanto melhor for o modelo, maior a chance de antecipar desastres naturais e orientar decisões de defesa civil, agricultura, planejamento urbano e políticas públicas.  

O supercomputador tem capacidade de processamento de dados de cinco a seis vezes maior e cerca de 24 vezes mais capacidade de armazenamento de dados que o sistema anterior, o Tupã, que a capacidade era de 1 petabyte. 

Para se ter uma ideia, no Tupã essa capacidade seria o suficiente para gravar vídeos em alta definição para serem assistidos por 13 anos ininterruptamente. Já no Jaci, daria para armazenar por 312 anos.  

Supercomputador Jaci Inpe. Imagem: Rodrigo Cabral/Divulgação

Como o supercomputador Jaci funciona 

As previsões são geradas a partir de uma vasta rede de observações, composta por estações de superfície, de altitude, dados de navios e boias oceânicas, dados de aeronaves, além de todos os satélites meteorológicos dos países que contribuem com a Organização Meteorológica Mundial.  

Todas as redes de observações coletam medidas, com seus sensores, e permitem estimar parâmetros da atmosfera, da superfície e dos oceanos, como temperatura, umidade, intensidade e direção dos ventos e a pressão em superfície.  

O Jaci é alimentado com todas essas informações e processa modelos climáticos que são analisados pelos meteorologistas. 

“No Tupã, o processamento dos dados era feito duas vezes por dia. Agora são quatro vezes por dia. Atualizar a previsão numérica em menor tempo possível vai beneficiar diretamente os trabalhos de previsão”, diz Ivan Barbosa, coordenador de infraestrutura de dados e supercomputação do Inpe, para a Folha. 

O primeiro passo de um projeto maior 

O Jaci não chega sozinho. Ele é o primeiro grande marco do Projeto RISC (Renovação da Infraestrutura de Supercomputação), iniciativa que vai modernizar até 2028 o Centro de Dados Científicos do INPE.  

O plano inclui:  

instalação de novos supercomputadores;  

expansão da infraestrutura elétrica;  

sistemas de refrigeração mais eficientes;  

e a implementação de uma usina fotovoltaica, reduzindo custos e impacto ambiental. 

O cérebro do novo modelo climático brasileiro  

Com mais poder de processamento, o Jaci viabiliza a operação plena do MONAN, o novo Modelo Brasileiro para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera.  

O Monan foi desenvolvido para representar com maior fidelidade as condições ambientais da América do Sul, uma região complexa, onde floresta, oceano e atmosfera conversam o tempo todo.  

É um salto importante para estudos de clima, impactos ambientais, agricultura, defesa civil e planejamento territorial.  

O supercomputador foi inaugurado em Cachoeira Paulista (SP) em cerimônia conduzida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e pelo INPE. O investimento inicial foi de R$ 30 milhões, via Finep, dentro de um projeto mais amplo que pode chegar a R$ 200 milhões.  

Para a ministra Luciana Santos, o Jaci representa mais do que tecnologia: é soberania científica. Já o diretor do INPE, Antônio Miguel Vieira Monteiro, destacou o caráter coletivo da conquista e o alinhamento do instituto com a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.  

*Com informações da Folha de S.Paulo 

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