Mais uma vez, a exemplo do que ocorreu em 2021, o controle do Senado nos Estados Unidos será decidido por uma disputa em segundo turno no estado da Georgia. A nova votação vai acontecer no dia 6 de dezembro. No momento, ainda há três estados em disputa e quem levar dois deles vai dominar a casa legislativa. Entre resultados já definidos e projeções feitas pela imprensa, os republicanos estão com 49 cadeiras no Senado e os democratas estão com 48.
Na Câmara, as últimas projeções apontam que o Partido Republicano vai ocupar entre 222 e 224 cadeiras, quando são necessários 218 assentos para fazer a maioria.
A disputa na Georgia remete a uma situação similar que ocorreu há dois anos. Ainda com a memória quente da vitória de Joe Biden à presidência, o Partido Democrata conquistou as duas cadeiras em disputa numa segunda rodada, uma vez que nenhuma das candidaturas havia alcançado o mínimo de 50% + 1 dos votos.
Há dois anos os democratas Jon Ossoff e Raphael Warnock venceram as corridas contra os republicanos David Perdue e Kelly Loeffler, dando um grande fôlego para o início da gestão de Biden.
Ossoff foi o primeiro senador judeu da Geórgia, além de se tornar mais jovem na casa legislativa, aos 33 anos. Já o pastor Warnock se tornou o primeiro senador negro do estado, numa disputa especial em virtude da aposentadoria do titular do cargo. Foi a primeira vez desde 2000 que os democratas conquistaram assentos pela Geórgia.
A tarefa de manter esse quadro em 2022 está nas mãos agora de Warnock, que precisa renovar seu mandato e tentar, no mínimo, manter o equilíbrio de forças (50 a 50) na casa legislativa. Seu adversário é o ex-astro de futebol americano Herschel Walker.
Até aqui, a disputa tem mostrado ataques pessoais pesados. Warnock disse na campanha que seu adversário é um mentiroso patológico, que possui acusações de violência familiar e que pagou abortos para ex-namoradasm- embora tenha incluído sua contrariedade à interrupção da gravidez como um das bandeiras de sua candidatura.
Já Walker culpa a administração democrata pelos recordes inflação, e pelo aumento da criminalidade, que ele atribui ao fluxo contínuo de imigrantes. E, embora seu concorrente seja um pastor, o republicano disse mais de uma vez ser um “guerreiro de Deus”, alegando que Warnock defende valores que não estão de acordo com sua fé.
Além da Georgia, os outros dois estados com a decisão em aberto são Nevada e Arizona, que podem demorar alguns dias para anunciar o resultado porque falta abrir votos de regiões populosas, parte deles enviados pelo correio.
A senadora democrata Catherine Cortez Masto está enfrentando o republicano Adam Laxalt em Nevada. Laxalt lidera (49,9% contra 47,2%) no momento, com mais de 70% dos votos contados, mas a vantagem deve ser reduzida ou anulada já que os votos de dois condados populosos e potencialmente democratas ainda não foram abertos.
Já no Arizona, onde o senador democrata Mark Kelly tem uma vantagem de 51,4% a 46,4% contra o republicano Blake Masters, a situação é inversa. Há muitos votos a serem contabilizados no condado de Maricopa, o maior do estado, com tendência republicana. Dos três resultados em aberto, quem conquistar duas cadeiras vai controlar o Senado.
Caso os republicanos realmente recuperem o controle da Câmara, vão conseguir barrar a agenda legislativa de Biden, por meio de obstruções. E devem ainda iniciar várias investigações contra a atual administração, desde o combate à pandemia e a retirada das tropas do Afeganistão, até acusações de corrupção contra o filho do presidente.
O controle do Senado é importante para Biden para confirmar nomeações de membros do gabinete, além de escolhas para o judiciário federal, incluindo uma possível vaga na Suprema Corte.
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