No ano de 1978, Shenzhen era uma pequena vila de pescadores localizada no delta do Rio das Pérolas, no sul da China, a cerca de 30 quilômetros de Hong Kong, a maior área urbana da região.
Com cerca de 30 mil habitantes vivendo em casas simples, a presença da natureza predominava, e ruas asfaltadas ainda eram raras. A cidade cheirava a mato.
Já em 2025, Shenzhen abriga 18 milhões de pessoas, vivendo em um ambiente dominado pela tecnologia de ponta. A cidade se transformou no vale do silício chinês, onde robôs circulam no metrô para realizar entregas e o sistema judiciário utiliza inteligência artificial para otimizar suas decisões.
Em comparação, Hong Kong possui 7,4 milhões de habitantes, segundo dados oficiais.
Nos anos finais da década de 1970, o líder nacional era Deng Xiaoping. Ele assumiu o governo chinês logo após a morte de Mao Tsé-Tung e foi o principal responsável pela mudança do modelo econômico para um sistema de mercado aberto a investimentos estrangeiros.
Foi nesse contexto que Shenzhen, parte da província de Cantão, tornou-se a primeira Zona Econômica Especial (ZEE) da China — áreas criadas para impulsionar a indústria local por meio de regimes tributários e regulatórios diferenciados em relação ao restante do país.
A mudança atraiu um grande número de migrantes vindos de todo o país.
No início, a cidade produzia eletrônicos básicos, geralmente cópias de produtos ocidentais, com qualidade inferior. Contudo, o cenário evoluiu.
Shenzhen deu origem a grandes empresas, como a Huawei, fabricante de celulares e smartwatches, e a Tencent, multinacional conhecida pelo WeChat — espécie de WhatsApp chinês — e por jogos populares como Fortnite e League of Legends.
A reputação de cidade produtora de eletrônicos baratos e de baixa qualidade logo ficou para trás.
Em 2018, quando se completaram 40 anos das reformas econômicas iniciadas por Xiaoping, Shenzhen foi apresentada como um símbolo do sucesso alcançado.
Naquele ano, a população da cidade era de 11 milhões, quase metade da atual. A maioria dos residentes é jovem e não nasceu nem cresceu no local.
O progresso tecnológico segue acelerado. Como exemplo, vale olhar para o metrô da cidade e suas mais de 100 unidades da rede 7-Eleven. Recentemente, robôs da VX Logistics começaram a utilizar esse transporte público para abastecer as lojas.
Em junho de 2024, o Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen implementou um sistema de julgamento com suporte de inteligência artificial.
A meta chinesa é que a megacidade sirva de modelo para a modernização do judiciário através da tecnologia da informação. A IA é usada para auxiliar juízes a tomarem decisões mais rápidas e precisas.