A decepção com o resultado do setor de serviços prestados no Brasil após a divulgação da estabilidade (0,0%) em novembro – ante uma expectativa de alta de 0,2% do mercado – se soma aos dados recentes de produção industrial (-0,1% na margem) e das vendas varejistas (-0,6%) para formar um quadro de desaceleração da atividade no final do ano. Analistas destacam que nem o evento da Copa do Mundo de futebol no período conseguiu reverter esse quadro que o carregamento (“carry over”) deixado para quarto trimestre é de tímidos 0,3%.
Análise do Bradesco BBI, considerou o resultado como “medíocre”, especialmente porque se esperava uma alta no consumo de bens para serviços por conta dos jogos da Copa. Os analista do banco destacam especialmente o fraco desempenho do grupo Informação e Comunicação no mês (queda de -0,7% ante alta de 1,1% no mês anterior) e de Outros Serviços (-2,2% frente a +2,8%).
Outro grupo que teve desempenho fraco foi o de Serviços às Famílias, que caíram 0,8%, após um recuo de 1,2% em outubro. O volume desses serviços está agora 6,7% abaixo do valor pré-pandemia. A nova queda deveu-se ao Alojamento e Restauração, que estão 8,9% abaixo do nível de antes da pandemia.
Já as categorias em crescimento se recuperaram apenas parcialmente da queda de outubro. Tanto os Transportes e Correios, que subiram 0,3% ante retração de 1,7% um mês antes, como os Serviços Profissionais (+0,2% ante -0,9%) registaram apenas uma recuperação limitada, destacou o banco.
O Bradesco BBI não mudou ainda sua projeção de crescimento do PIB para o quarto trimestre, que continua de queda de 0,2% , mas admitiu que está com uma “visão cautelosa” sobre a atividade no curto prazo, especialmente no primeiro semestre de 2023.
O diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, também considerou que o sinal da atividade de serviços é consistente com um conjunto mais amplo de indicadores econômicos, apontando para uma perda do impulso real do ciclo de negócios durante o quarto trimestre do ano passado. Ele também calcula em 0,3% o “carry over” para o último trimestre de 2022.
Para o cenário à frente, Ramos diz esperar que alguns dos setores de serviços ainda afetados pela Covid – em particular serviços para famílias – se recuperem nos próximos meses. A previsão se apoia nos impactos da renovação dos estímulos fiscais, nom mercado de trabalho ainda firme e na inflação retraída.
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Natalia Cotarelli e Matheus Felipe Fuck, que assinam relatório do Itaú, também esperam que setor de serviços deve desacelerar nos próximos meses. “À medida que os efeitos da reabertura estão se dissipando, esperamos um crescimento moderado para o setor no quarto trimestre. O carrego estatístico atingiu +0,3% no trimestre”, analisaram.
O Itaú destacou negativamente o fraco dos serviços prestados às famílias em novembro, mas também não alterou sua estimativa de PIB para o quatro trimestre, que permaneceu em queda de 0,2% na comparação trimestral com ajuste.
Rodolfo Margato, economista da XP, afirmou em relatório que as receitas reais do setor de serviços estáveis entre outubro e novembro corroboram a estimativa de estagnação do setor terciário no 4º trimestre de 2022, após longo período de recuperação sólida com a flexibilização das restrições ligadas à pandemia, que foi visível a partir do 1º semestre de 2021.
Para o economista, o serviços mais ligados à demanda das empresas continuam em rota de desaceleração no mês. Isso inclui o grupo de Serviços de Informação e Comunicação, de Transporte e Armazenagem e os Serviços Profissionais e Administrativos.
Com os dados de hoje, a estimativa final para o IBC-Br – proxy mensal do PIB calculada pelo Banco Central – de novembro está em queda de 0,6% ante outubro – e alta de 1,8% frente a novembro de 2021. Já o Tracker XP para o PIB do 4º trimestre passou a indicar recuo de 0,2% em relação ao o 3º trimestre de 2022.
“Com isso, nossa estimativa de crescimento do PIB em 2022 – atualmente em 3% – tem ligeiro viés baixista (para 2,9%). Por fim, prevemos desaceleração econômica acentuada em 2023 (alta de 1,0%), explicada principalmente pelos efeitos da política monetária contracionista.”
O BTG Pactua destacou que o dado de serviços do IBGE apresentou uma difusão de 50%, com alta em 6 dos 12 grupos pesquisados, apontando uma leitura bastante heterogênea. O destaque altista ficou com os grupos Outros Serviços Prestados às Famílias, Serviços Audiovisual, Transporte Aquaviário e Transporte Aéreo, que foram beneficiados pela Copa do Mundo e pela Black Friday no mês.
Para 2023, o banco disse esperar que o setor de serviços deve continuar a tendência de arrefecimento. “Além disso, as leituras devem ficar mais concentradas em determinados grupos, com manutenção da difusão em patamar mais baixo. Nesse sentido, os Serviços Prestados às Famílias podem continuar se destacando, mas em menores dimensões, enquanto Transporte deve ser depreciado pela menor demanda de Bens”, previu.
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