O consenso do mercado de que haverá queda de juros em 2026 poderá mudar com os gastos fiscais em ano de eleição e com o impacto da inflação, afirmou nesta terça-feira (14) Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research da XP.
Para Ferreira, o Brasil vive uma “onda” que “levou nossos ativos para cima”, porque o “mercado passou por cima do que está acontecendo no Brasil”, disse, se referindo às contas públicas.
A afirmação foi dada durante o evento Global Voices, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em São Paulo.
“Se este impulso fiscal, de fato, amarrar as mãos do BC e não conseguir cortar, ou cortar menos que o esperado, isso vai ser uma notícia ruim porque está todo mundo esperando o corte”, afirmou.
A projeção da XP é de que os juros cheguem a 12% ao fim de 2026.
Ferreira alerta que, caso os juros não caiam, isso será um risco para os investidores que já trabalham com essa projeção.
Além do contexto brasileiro, há o risco de o Federal Reserve (FED, o Banco Central dos EUA) também não conseguir cortar os juros, o que vai impactar a economia nacional.
No mesmo evento, Reinaldo Le Grazie, sócio da Panamby Capital e ex-diretor de política monetária do BC, afirmou que o ano de 2026 será “um pesadelo” para o Banco Central (BC), que não terá as mesmas condições favoráveis deste ano em relação ao controle da inflação.
Para ele, a inflação deste ano está caindo devido a fatores externos, como a influência do câmbio devido à desvalorização do dólar, impactado pelo tarifaço de Donald Trump.
“O ano que vem será um pesadelo para o BC. O que arrastou a inflação deste ano foi o câmbio. Para o ano que vem, se imaginarmos que o dólar vai a R$ 5,40, será que desvaloriza mais? Se a ecomomia americana não desacelerar, ele não desvaloriza”, afirmou.
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Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, afirmou no mesmo evento que a eleição de 2026 deixará “um legado horrível” para o Brasil. Parafraseando uma frase da ex-presidente Dilma Rousseff, ele disse que, ao final, todos perderão.
“A eleição de 2026 deixará um legado horrível, vai ser como aquela frase da Dilma: ‘Nem quem ganhar nem perder vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder’”, afirmou, tirando risos da plateia.
Para ele, a estratégia do governo de começar elevando a receita para cobrir as contas públicas cria uma “fadiga no processo político”. Ele avalia que a melhor estratégia seria começar cortando gastos para, depois, pedir a contribuição do setor produtivo, por meio da retirada dos benefícios fiscais.
“A agenda é correta, mas como ela vem com uma estratégia unilateral [elevar a arrecadação], e não tem nada pelo lado do gasto, você cria um problema de condução de estratégia”, avalia.
“O mais estrutural é começar pelo gasto. Entrega corte concreto na despesa, e depois pode pedir para setor produtivo dar a sua contribuição [via corte de benefícios tributários]”, afirmou.
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