A recepção do mercado e dos analistas à apresentação da minuta da PEC da Transição na noite de ontem foi extremamente negativa e de forma unânime por conta de incertezas que o plano traz sobre descontrole de gastos nos próximos anos.
Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil teme que o “rombo” de gastos fora do Teto possa ultrapassar os R$ 200 bilhões, a partir das premissas da minuta.
“O teto dos gastos visa respeitar o orçamento e a arrecadação do governo, o famoso ‘gastar somente o que se ganha’. Nesse caso de extensão de itens fora do teto, é como passar o cheque especial como extensão da receita, o que aumenta o gasto e o endividamento público, por consequência, a carga tributária e a inflação, reduzindo emprego e renda”, comentou.
Jason Vieira, economista chefe da Infinity Asset, comentou mais cedo que os integrantes do novo governo parecem não entender o contexto macroeconômico do próximo ano, de crescimento mais baixo da economia, inflação menor (o que afeta a arrecadação) e o fato de que economias centrais podem entrar num ciclo recessivo.
“Não estamos num contexto como 2002 e 2006. Estamos mais próximos de 2010. Vemos cada vez mais sinais que o Lula está se parecendo mais com Dilma (Rousseff) do que com ele próprio”, comentou no morning call da corretora. Para ele, isso explica o porquê de o mercado interno tem se deslocado do exterior nos últimos dias.
Andressa Bergamo, sócia-fundadora da AVG Capital também considera que excluir o Bolsa Família do Teto de Gastos, sem prazo e sem definição de valor nem de adicionais, é quase passar um cheque em branco. “O rombo poderá ser de R$ 200 bi por ano. Obviamente esse é um texto inicial que deve ser desidratado nas discussões que devem ocorrer no congresso”, ponderou.
José Alberto Baltieri, gestor do fundo ASA Small Mid Cap, lembrou que a responsabilidade fiscal é o arcabouço econômico que direciona as demais variáveis, como inflação, juros, câmbio e PIB. “Não se sabe agora para onde vai em termos de gastos excedentes acima do Teto”, criticou.
Ele também viu como negativa a resposta do presidente eleito de pedir “paciência” de a Bolsa cair e o dólar subir. “É uma irresponsabilidade peitar o mercado. E não temos um ministro da Fazenda. Não sabemos se terá perfil técnico ou político”, disse. “O mercado odeia incerteza e está reagindo negativamente”.
Baltieri disse que isso fica explícito no movimento da curva de juros futura, o que impacta negativamente em setores sensíveis a isso, como varejo e construção.
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