O Brasil é o único país da América Latina que recebeu o Overweight, o equivalente a “compra”, do JP Morgan. Em um relatório recente, o banco norte-americano afirmou que o país está em um bom caminho apesar dos percalços esperados para 2026.
De acordo com a publicação, o JP Morgan vê como positivo o corte na taxa de juros já no primeiro trimestre de 2026, o que historicamente tende a impulsiona as ações brasileiras. Nomes como Chile e México permaneceram como “neutros“, Colômbia e Peru, Underweight (equivalente a “venda“) e a Argentina não foi considerada (Off-index).
Com juros menores, os investidores locais e internacionais devem migrar da renda fixa para bolsa, que já vem apresentando um resultado positivo nos últimos meses de 2025. Vale dizer ainda que o investimento direto no país deve continuar crescendo, segundo o JP Morgan, tendo em vista a maior atenção global ao Brasil.
No entanto, o Brasil terá eleições presidenciais e para renovação das Casas Legislativas em 2026, o que é um ponto de atenção para os analistas.
Em outubro do ano que vem, o eleitor escolherá deputados, dois senadores, governador e presidente.
A despeito das disputas políticas, os investidores devem se preocupar mesmo é com a agenda fiscal do governo federal. Caso as eleições tragam um governo com compromisso com equilíbrio fiscal e reformas estruturais, isso pode gerar um upside assimétrico positivo no ano.
No entanto, a volatilidade deve estar presente ao longo do ano devido às preocupações com eleitorais. Ainda assim, o potencial de alta é maior que o de baixa, segundo o relatório.
Por outro lado, os analistas ainda destacam que a possível expansão de gastos ou falta de ajuste fiscal pode deteriorar expectativas e pressionar juros.
Nesse cenário, caso o real se desvalorize fortemente ou ocorram choques externos, o início do afrouxamento monetário pode ser postergado, o que exigiria um ajuste das projeções.
Ação (Código)
Destaque
Nubank (NU)
Maior neobank da América Latina, com forte crescimento e ROE elevado.
Petrobras (PETR3)
Produção acima do guidance, dividendos robustos (~10% yield).
Vale (VALE3)
Vantagem competitiva em qualidade do minério, bom potencial de preço.
Suzano (SUZB3)
Beneficiada por alta esperada no preço da celulose e aumento de volumes.
Hypera (HYPE3)
Crescimento orgânico e lançamento de genéricos GLP-1.
Localiza (RENT3)
Maior locadora, deve se beneficiar da queda da Selic.
Sabesp (SBSP3)
Privatização e leilões de concessão devem impulsionar resultados.
Cyrela (CYRE3)
Exposição ao ciclo de queda de juros e segmento de média/alta renda.
As menos preferidas do JP Morgan
Ação (Código)
Destaque
Magazine Luiza (MGLU3)
Pressão competitiva e cenário macro desafiador.
Cemig (CMIG4)
Estatal com risco político e menor potencial de valorização.
Tupy (TUPY3)
Margens pressionadas e incertezas estratégicas.