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Published by on 3 de março de 2026
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Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta manhã, mostraram a criação líquida de 112, 3 mil empregos com carteira assinada em janeiro, número bem acima da mediana esperada pelo mercado, de 92 mil vagas.

Na avaliação de alguns economistas, o ritmo mais forte foi compensado pelo resultado de dezembro, que tinha vindo mais fraco do que o esperado.

“Há um mês, destacamos algumas ressalvas em relação ao resultado de dezembro”, lembrou Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos. Segundo ele, mudanças nos fatores sazonais, desde a pandemia e o posicionamento dos feriados de Natal e Ano Novo no meio da semana, explicaram boa parte da surpresa negativa vista no último mês de 2025, o que confirmou a expectativa de compensação que tinha para janeiro. 

As admissões totais chegaram a avançar 9,8% em janeiro, para 2,202 milhões, revertendo a queda de 9,5% observada em dezembro.

“O emprego formal segue em trajetória de alta, embora com perda de fôlego. O ritmo médio de criação de vagas desacelerou de cerca de 135 mil, no primeiro semestre, para 80 mil, no segundo semestre de 2025, refletindo o arrefecimento da atividade doméstica”, avaliou Margato.

Outro sinal que indica essa perda de fôlego, em sua avaliação, foi a moderação no crescimento dos salários. O salário médio de admissão nominal cresceu 6,1% em janeiro, abaixo da média de 7% observada nos três meses anteriores. No entanto, o economista da XP avalia que esse dado segue ainda forte.

Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetimes Gestora de Recursos, também avalia a questão sazonal do dado no comparativo mensal, alegando que dezembro normalmente é mais fraco e janeiro costuma ser positivo. Por isso, ela prefere o comparativo anual, que deixa mais claro o movimento de desaceleração – para efeito de comparação, em janeiro de 2025 haviam sido criadas 137 mil vagas líquidas.

Apesar disso, a economista aponta que a desaceleração está sendo mais lenta do que o esperado.

“O mercado de trabalho desacelera, mas ainda segue bastante forte no Brasil. Isso deve ser levado em conta agora pelo Banco Central na reunião do Copom de março, porque o mercado de trabalho tem sido uma das principais fontes de pressão de inflação de demanda e inflação de serviços”, destaca Kawauti em sua análise.

Vale destacar que no último dia 27, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA–15) de fevereiro registrou uma alta 0,84% no mês, também acima das projeções, o que reforça a cautela por parte do BC.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para 17 e 18 de março, e a expectativa do mercado ainda é de um corte de 0,50 ponto percentual.

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