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Published by on 19 de novembro de 2025
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Novos dados divulgados nesta quarta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Emprego (IBGE) sobre o mercado de trabalho em 2024, em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, mostram que o trabalho no domicílio, o chamado home office, perdeu força após o pico atingido na pandemia, recuando pelo segundo ano consecutivo. O trabalho realizado em residência, que chegou ao maior patamar em 2022 atingindo o 8,4%, recuou para 7,9% em 2024.

Essa queda, segundo o IBGE, indica um processo de reversão parcial do home office, principalmente em ocupações que haviam migrado para o modelo remoto durante a pandemia. Apesar da flexibilização permanecer, o peso do trabalho remoto, no entanto, voltou a se alinhar à estrutura produtiva tradicional, muito concentrada em setores de serviços presenciais, comércio e atividades operacionais.

Fonte: IBGE/PNAD Contínua

Estabelecimentos

Por outro lado, a pesquisa mostrou que, em 2024, 59,4% da população ocupada do setor privado (o equivalente a 49,9 milhões de pessoas) trabalhava em estabelecimento do próprio empreendimento. Esse grupo, que vinha perdendo espaço desde 2015, voltou a crescer em 2023 e manteve a expansão no ano passado, com alta de 3,2%.

A tendência indica duas possibilidades: fortalecimento do empreendedorismo como estratégia de renda, em um mercado ainda marcado por informalidade, e maior presença de micro e pequenos negócios, que hoje ocupam posição estrutural na economia, especialmente nos setores de serviços e comércio, segundo o IBGE.

As regiões Sul (65,0%) e Sudeste (64,0%) lideram a proporção de trabalhadores em estabelecimentos próprios, enquanto Norte (47,9%) e Nordeste (49,5%) permanecem abaixo da metade, refletindo desigualdades produtivas históricas.

O Sudeste, que já teve o maior percentual do país (72,2% em 2014), acumula queda de 8,2 pontos desde 2012, apesar de pequena alta em 2024.

Leia também: Trabalho presencial, híbrido ou remoto? É possível ser flexível e competitivo?

Gênero

O recorte por sexo revela outro contraste importante: 72,1% das mulheres estavam em estabelecimentos próprios, contra 51,7% dos homens. Em regiões como Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a diferença é ainda maior, indicando que o empreendedorismo feminino tem sido uma resposta mais frequente a mercados formais restritos.

O trabalho exercido em fazenda, sítio, granja ou chácara, hoje conta com 8,6% dos ocupados, mas vem encolhendo de forma consistente. Eram 9,5 milhões de trabalhadores rurais em 2012 e agora já são 7,2 milhões, queda de 24,5%. No Nordeste, a redução chega a 35%.

Isso indica que há uma migração estrutural do trabalho rural para o urbano, mecanização crescente, e deslocamento da força de trabalho para ocupações ligadas a serviços.

O Norte e Nordeste permanecem como as regiões mais rurais, detendo 15% e 13,6%, respectivamente, enquanto o Sudeste registra apenas 5,1%.

Leia também: “Velho normal”: empresas pressionam por trabalho presencial 5 anos após a pandemia

Logística

O país registrou 11,8 milhões de trabalhadores atuando em local designado pelo empregador ou freguês, com maior presença no Centro-Oeste (16,9%). Segundo o IBGE, é um indicador importante para atividades com deslocamento frequente, como serviços porta a porta, manutenção e logística.

Já o trabalho em veículos automotores, como motoristas de aplicativo, caminhoneiros, entregadores, continua em ascensão. Em 2024, o contingente chegou a 4,1 milhões de trabalhadores, alta de 5,4% contra 2023 e de expressivos 53,4% desde 2012. O avanço reflete a expansão das plataformas digitais e a consolidação da gig economy (ou economia alternativa da era digital) no país.

Formação ajuda na formalização

A PNAD mostra que o grupo formado por empregadores e trabalhadores por conta própria chegou a 29,8 milhões de pessoas, um aumento de 1,8% em um ano. Apenas um terço (33,6%) desse grupo tem CNPJ. A taxa, embora crescente, mostra que há um avanço moderado para o tamanho do mercado.

A formalização também é desigual, já que 80% dos empregadores têm CNPJ, contra 25,7% dos “conta própria”. Entre trabalhadores com ensino superior, quase metade (48,4%) possui registro; entre os sem instrução, apenas 11%.

O nível de formação, portanto, funciona como um dos principais determinantes da formalização, tanto por exigências técnicas quanto pela necessidade de acesso a meios de pagamento e serviços bancários.

Diferenças regionais

As diferenças regionais são marcantes na PNAD de 2024, com o Norte (14,8%) e o Nordeste (19,2%) registrando os menores percentuais de formalização. Já no Sul o percentual chega a quase metade (45,2%), enquanto Centro-Oeste é de 40,3% e Sudeste 39,8%, concentrando os maiores patamares formais.

Setores mais fortes

Comércio e Serviços lideram tanto em número de trabalhadores quanto em taxa de CNPJ, refletindo o peso dessas atividades na economia. A construção civil foi o setor com maior avanço absoluto no registro formal em 2024, com aumento de 70 mil novos cadastros.

A participação de empregadores e conta própria em cooperativas é mínima: apenas 4,3% dos trabalhadores dessas categorias. O indicador, no menor nível da série, mostra que o país ainda opera majoritariamente em arranjos individuais, mesmo em setores em que a cooperação poderia reduzir custos e ampliar produtividade.

Raio X

A fotografia do mercado em 2024 mostra que a força de trabalho no País é adaptativa, mas ainda marcada por desigualdades regionais, educacionais e de gênero, elementos centrais para entender os próximos passos da economia brasileira.

Leia Mais: IBGE abre seleção com 9.590 vagas temporárias de nível médio

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