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Published by on 23 de janeiro de 2026
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O Fórum Econômico Mundial em Davos, tradicionalmente visto como um termômetro do otimismo global, assumiu neste ano um tom marcadamente defensivo. Em meio aos Alpes suíços, o que se observou ao longo da semana não foi apenas uma reunião de cúpula, mas o retrato de um mundo em fragmentação, no qual a incerteza domina as projeções de curto e longo prazo.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, destacou ao Money Times que o Relatório de Risco Global — estudo anual publicado pelo Fórum Econômico Mundial — confirmou uma instabilidade acentuada, com os riscos geoeconômicos no centro das atenções.

“O documento aponta os riscos geoeconômicos como a maior preocupação dos agentes econômicos, em um ambiente mais fragmentado, marcado pelo aumento da polarização global e pelo uso de sanções econômicas e tecnologias como instrumentos de pressão política”, afirma.

Segundo a estrategista, o risco geopolítico, antes tratado como um componente secundário, passou a ditar o ritmo da economia global. O aumento da tensão nas relações internacionais afeta diretamente as cadeias de suprimentos, pressiona a inflação e amplia a volatilidade dos mercados.

Um dos exemplos que ilustraram esse ambiente de instabilidade foi o debate em torno da crise entre Estados Unidos e Dinamarca sobre a Groenlândia, tema que ganhou espaço relevante nos corredores e palcos do evento. O assunto desviou parte do foco de discussões centrais de Davos — como transição energética, inteligência artificial e dívida pública — e reacendeu temores relacionados à escalada de disputas comerciais.

O presidente Donald Trump fez um discurso longo, com críticas à Europa e ameaças de imposição de tarifas a países que não apoiarem a ampliação da influência norte-americana sobre a ilha, embora tenha afastado o risco de um conflito armado. Diante desse cenário, Zogbi não descarta a possibilidade de novas barreiras comerciais ao longo do ano.

“O acordo entre União Europeia e Estados Unidos já está paralisado, o que leva a relação entre os dois lados a patamares semelhantes aos observados no chamado ‘Liberation Day’ [quando Trump anunciou um pacote de tarifas de importação contra parceiros comerciais], aumentando os riscos de inflação e de disrupções nas cadeias produtivas”, afirma. “O mercado, por ora, não deve precificar o pior cenário — que seria uma ruptura da parceria comercial —, mas essa possibilidade não pode ser totalmente descartada”, completa.

Brasil fica de fora da vitrine com nova ordem mundial se formando

Para a estrategista, o mundo vive o que pode ser definido como uma “nova ordem mundial”: um cenário de multipolaridade sem multilateralismo, caracterizado pela deglobalização e pela competição crescente entre potências como Estados Unidos e China.

“Nesse novo contexto, potências médias e grandes disputam esferas de influência regionais, enquanto o multilateralismo liberal perde força. Ganham espaço normas locais impostas por sanções, tarifas e soberania tecnológica, o que pode reduzir a velocidade das inovações, elevar a inflação — em razão da fragmentação das cadeias produtivas — e aumentar a turbulência nos mercados”, avalia.

Dentro desse cenário, o Brasil pode ter perdido visibilidade ao participar de forma limitada do Fórum. O país contou oficialmente apenas com a presença da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.

A ausência de autoridades de maior peso político e econômico pode ser interpretada de forma negativa por investidores internacionais. Zogbi alerta que, sendo Davos uma vitrine estratégica para países que buscam atrair capital, uma presença reduzida tende a significar perda de espaço em índices globais e, consequentemente, menor fluxo de investimentos para o Brasil.

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