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Published by on 16 de janeiro de 2026
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Quando se fala em energia nuclear, logo pensamos em Chernobyl, Fukushima e riscos de vazamentos e explosões. Mas não é bem assim. Os acidentes que moldaram esse medo coletivo aconteceram com um tipo específico de reator atômico. 

LEIA MAIS: China acende seu “sol artificial” e chega mais perto de uma fonte de energia limpa e quase infinita

Enquanto o mundo ainda associa o termo “nuclear” à fissão (a tecnologia por trás desses desastres), a China aposta em algo diferente. 

Recentemente, o país anunciou os novos recordes do seu chamado “sol artificial” e, longe das imagens de usinas cercadas por zonas de exclusão, sirenes e planos de retirada da população, a pergunta muda de tom: o problema da energia nuclear é a tecnologia ou o método de reação? 

O reator experimental chinês EAST (Experimental Advanced Superconducting Tokamak), que tenta reproduzir na Terra a fusão que acontece no núcleo do Sol, ajuda a esclarecer essa diferença de forma quase didática. 

Fissão: funciona, mas nunca relaxa

A fissão nuclear é a tecnologia que conhecemos, usada há décadas nas usinas atômicas comerciais. Ela funciona quebrando átomos pesados, como o urânio, para liberar energia. É eficiente, gera eletricidade em larga escala e pouco poluente. 

No entanto, a fissão nuclear carrega um detalhe nada trivial: a reação depende de vigilância constante. Se os sistemas falharem, existe o risco de uma reação fora do controle, com superaquecimento do núcleo e liberação do material radioativo. 

Foi assim que acidentes raros, porém traumáticos, entraram para a história. Além disso, a fissão produz resíduos radioativos que permanecem perigosos por milhares de anos. 

A fissão é como um motor potente que exige vigilância constante. Funciona, mas nunca dorme tranquilo. 

Fusão: quando errar significa desligar

A fusão nuclear, por outro lado, faz o oposto: une átomos de substâncias leves, como o hidrogênio. É a mesma reação que mantém nosso Sol aceso há bilhões de anos e que os cientistas tentam domar há décadas. 

A grande diferença está no comportamento do sistema. A fusão não entra em reação em cadeia descontrolada. 

Se algo sai do roteiro, o plasma perde estabilidade e a reação simplesmente para. Não explode, não derrete e não vira desastre. 

Do ponto de vista da segurança física, é difícil competir: a fusão é considerada mais segura. 

O “sol artificial” da China como prova de conceito

É aí que entra o “sol artificial” da China. O EAST não é uma usina, mas um laboratório. Nos últimos anos, o reator chinês bateu recordes mundiais de tempo de confinamento de plasma, mantendo a reação ativa por mais de mil segundos. 

Em outros experimentos, o reator também atingiu temperaturas da ordem de 100 milhões de graus Celsius, que é o necessário para que a fusão aconteça. 

Isso não significa que a fusão já esteja pronta para uso comercial, mas mostra algo essencial: o risco não é o mesmo da fissão. 

Se a energia falha, tudo se dissipa em segundos. Em outras palavras: o maior desafio da fusão não é segurança, mas sim a engenharia. 

Então por que ainda usamos fissão?

Porque a fusão é mais difícil, mais cara e mais demorada. Exige controle magnético extremo, materiais avançados capazes de suportar bombardeio de nêutrons e décadas de pesquisa. 

Até hoje, produzir mais energia do que se consome de forma contínua ainda é um obstáculo. 

A fissão chegou primeiro porque era viável, já a fusão ainda não chegou porque é exigente demais. 

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