A Polícia Federal deflagrou nesta semana a Operação Fábrica de PIX, que investiga um esquema de simulação de pagamentos no sistema de arrecadação de uma casa lotérica em Jundiá (RN). Segundo a PF, o golpe gerou um prejuízo aproximado de R$ 3,7 milhões.
O caso não tem relação com sorteios da Mega-Sena ou resultados de jogos, apesar de o tema frequentemente reacender teorias conspiratórias sobre manipulação de prêmios. Aqui, o foco é fraude no processamento de pagamentos, e não na dinâmica dos concursos.
A investigação começou após a prisão em flagrante de um homem que havia assumido recentemente a concessão da lotérica.
De acordo com a PF, em 17 de outubro, o suspeito teria registrado centenas de pagamentos falsos — boletos que apareciam como pagos no sistema, sem que o dinheiro fosse efetivamente repassado ao credor.
Em seguida, o investigado deixou a cidade e acabou preso ao desembarcar em Curitiba (PR).
A operação envolvia:
simulação de quitação de cobranças
geração de comprovantes como se o pagamento tivesse sido feito
desvio dos valores para contas de terceiros
Ou seja, trata-se de fraude financeira, não de adulteração de sorteios.
Segundo a PF, os valores foram espalhados (“pulverizados”) por meio de contas bancárias de laranjas em diferentes instituições — estratégia que complica o bloqueio dos recursos.
(Imagem: Arquivo/Agência Brasil)
A Justiça Federal autorizou:
quebra de sigilo bancário
bloqueio de contas envolvidas
apreensão de veículos de luxo ligados ao principal investigado
A investigação agora busca identificar quem cedeu contas para movimentar o dinheiro e quem emitiu boletos utilizados na fraude.
O Money Times tentou contato com a PF, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Ao portal G1, a Polícia Federal informou que o esquema não afetou concursos, apostas, prêmios nem resultados das loterias. A fraude ocorreu no processamento de pagamentos, não no sistema de sorteio.
As casas lotéricas não operam apenas apostas. Elas funcionam também como:
arrecadadoras de contas
recebedoras de tributos
pontos de pagamento de benefícios sociais
Na prática, são uma segunda camada de infraestrutura financeira, paralela ao sistema bancário tradicional.
E, como qualquer sistema de processamento, pode ser explorado se houver vulnerabilidade e acesso interno.
A PF segue mapeando contas de passagem e eventuais laranjas para tentar recuperar os recursos desviados.