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10 de novembro de 2025
Aceno ao novo CEO e lembranças de 1930: O que diz a última carta aos acionistas de Warren Buffett como presidente da Berkshire Hathaway
10 de novembro de 2025
Published by on 10 de novembro de 2025
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Nesta segunda-feira (10), o lendário Oráculo de Omaha publicou sua última carta pela Berkshire Hathaway. Aos 95 anos, Warren Buffett se despede da companhia após seis décadas de atuação — período em que se tornou um dos homens mais ricos do planeta, com um patrimônio estimado em US$ 150 bilhões (R$ 797 bilhões). Essa história, no entanto, não foi feita apenas de grandes acertos: Buffett também acumulou erros ao longo do caminho.

Mesmo assim, o saldo final continua impressionante. No terceiro trimestre de 2025, por exemplo, a Berkshire registrou um caixa recorde de US$ 381,7 bilhões (pouco mais de R$ 2 trilhões), reforçando a força do investidor.

Pensando nisso, o Money Times reuniu três momentos em que Buffett errou — e que marcaram sua trajetória.

Berkshire Hathaway foi “a ação mais estúpida que já comprei”

O próprio Warren Buffett admitiu, em uma carta aos acionistas, que a compra da Berkshire Hathaway começou com uma “decisão estúpida”. Apesar de saber que o negócio têxtil estava em declínio, ele comprou suas primeiras ações em 1962 apenas porque estavam “baratas” — sem a menor intenção de assumir o controle da empresa.

VEJA MAIS: O que os balanços do 3T25 revelam sobre o rumo da bolsa brasileira e quais ações podem surpreender nos próximos meses – confira as análises do BTG Pactual

A reviravolta veio em 1964. Naquele ano, a administração da Berkshire ofereceu US$ 11,50 por ação para recomprar a participação de Buffett. Porém, semanas depois, a proposta formal chegou com um valor menor: US$ 11,375. A quebra de palavra irritou o investidor. Em vez de vender, ele decidiu comprar ainda mais ações até conquistar o controle da empresa — e demitiu o gerente Seabury Stanton, responsável pelo acordo.

Buffett cumpriu o plano “por pirraça”, mas reconheceu anos depois que a atitude foi um erro. Ele passou a administrar um negócio que não conhecia e que já estava em decadência, acumulando prejuízos no setor têxtil da Berkshire.

Segundo o próprio Oráculo de Omaha, a lição é simples: não se deve comprar ações só porque estão baratas. Decisões movidas pela emoção costumam cobrar um preço alto no longo prazo.

O prejuízo bilionário com as empresas aéreas

Em 2020, em meio ao caos provocado pela pandemia de coronavírus, Buffett surpreendeu o mercado ao anunciar que a Berkshire Hathaway havia vendido todas as posições que mantinha nas principais companhias aéreas dos Estados Unidos.

A decisão ocorreu em abril daquele ano, quando o setor enfrentava um colapso histórico e as viagens ao redor do mundo praticamente haviam parado. Buffett disse, na época, que tinha dúvidas sobre a retomada do fluxo de passageiros nos dois ou três anos seguintes. “O mundo mudou para as aéreas. Alguns negócios serão realmente afetados”, afirmou.

Até dezembro de 2019, a Berkshire detinha cerca de US$ 4 bilhões em ações de United, American Airlines, Delta e Southwest. Ao comentar o movimento, Buffett foi direto: “Eu estava errado” sobre a aposta nas aéreas.

A declaração veio pouco depois de a Berkshire reportar um prejuízo de US$ 49,7 bilhões no primeiro trimestre de 2020, reflexo da forte desvalorização das ações do portfólio.

(Imagem: Reuters/Rick Wilking)

O ceticismo em relação ao Bitcoin

Outro erro frequentemente citado pelos analistas é o ceticismo de Buffett sobre o Bitcoin (BTC). O Oráculo de Omaha nunca escondeu sua aversão à criptomoeda — e vocalizou isso diversas vezes.

Em entrevista à CNBC em 2018, Buffett disse que o Bitcoin “não produz nada” e seria “provavelmente veneno de rato ao quadrado”. Em 2020, novamente à emissora, reforçou: “Criptomoedas não têm valor. Elas não produzem nada. Eu não tenho e nunca terei Bitcoin.”
Ele também já decretou a “morte do Bitcoin” pelo menos oito vezes, segundo o site bitcoindeaths.com.

O problema? O tempo mostrou que o movimento do mercado foi totalmente oposto.

De 2020 para cá, o Bitcoin passou por uma onda de legitimação global. Entre os eventos mais relevantes estão:

a aprovação dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos;
a entrada de gigantes como BlackRock e Fidelity oferecendo exposição direta ao ativo;
fundos de pensão da Europa e da Ásia iniciando alocação em criptomoedas;
além de diversos recordes de preço.

Nos últimos cinco anos, o Bitcoin valorizou mais de 500% e atingiu cerca de US$ 105 mil (R$ 561 mil).

Hoje, com o BTC consolidado como uma nova reserva de valor digital e presente na estratégia de alguns dos maiores gestores do mundo, o não investimento de Buffett já pode ser considerado — pelo menos até agora — um dos erros mais emblemáticos de sua trajetória.

O sonho frustrado de Lemann e Buffett

Mais recentemente um “sonho grande” da 3G Capital, dos investidores brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira que também envolvia Warren Buffett ruiu.

Em 2015, Buffett e a 3G orquestraram a fusão entre a Kraft Foods e a H.J. Heinz Company, com o objetivo de criar uma gigante global de alimentos.

A promessa era que, combinando eficiência da 3G e o poder de distribuição da Berkshire Hathaway, nasceria um modelo de crescimento lucrativo e sustentável.

Porém, o movimento acabou sendo marcado por resultados abaixo das expectativas. A Kraft Heinz Company enfrentou queda de vendas e desvalorização de marcas tradicionais. Em agosto de 2025, a Berkshire registrou uma perda contábil de US$ 3,8 bilhões em sua participação na Kraft Heinz, que foi reduzida para US$ 8,4 bilhões no final de junho.

No início de setembro de 2025, Buffett declarou estar “desapontado” com o plano de separação da empresa em duas companhias — e afirmou que “não acha que isso vai resolver os problemas” da empresa.

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