O payroll de dezembro, principal dado do mercado de trabalho nos Estados Unidos e que mede a criação de empregos fora do setor agrícola, veio abaixo do esperado, o que reforça as leituras de moderação nas contratações. Para os economistas, embora os dados ainda possam carregar alguma distorção do “shutdown” do governo americano, a taxa de desemprego menor e os salário ainda em alta sugerem que o Federal Reserve terá bons argumentos para manter a taxa de juros na reunião de janeiro.
Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o mercado de trabalho americano mantém um ritmo moderado, com 50 mil contratações registradas em dezembro — ante as 70 mil projetadas — e uma média no último trimestre de 2025 de apenas 29 mil contratações no setor privado
Ela destacou ainda a taxa de desemprego, que caiu para 4,4%, um patamar baixo para os padrões históricos dos EUA e inferior ao esperado pelo mercado (4,5%). “Esse movimento veio acompanhado por um aumento na população ocupada e por uma queda na população economicamente ativa. Já a taxa de participação na força de trabalho caiu de 62,5% para 62,4%, o que significa que menos pessoas procuraram emprego nas últimas quatro semanas”, listou.
Leia também: Fed reduz juros em 0,25 ponto, indica pausa e sinaliza um corte da taxa em 2026
Outro ponto de atenção citado pela economista foi a média salarial, que subiu 0,3% em dezembro, acumulando uma alta de 3,8% ao longo de 2025. ”Essa variação representa uma aceleração em relação aos 12 meses até novembro (3,6%) e mantém os salários em um ritmo de crescimento que tende a pressionar a inflação, especialmente no setor de serviços, que costuma ser mais sensível ao aumento da renda da população”, alertou.
Ela destacou ainda que, depois dos três cortes anunciados desde setembro, os juros nos EUA agora estão próximos das estimativas para o nível neutro, o que deixa o Fed em uma posição mais confortável para esperar, analisar os dados e só então decidir os próximos passos. “Nesse contexto, um novo corte de juros no final de janeiro nos parece pouco provável.”
André Valério, economista sênior do Inter, concorda com a avaliação que, para o Fed, talvez o caminho de menor resistência seja pular a reunião de janeiro à espera de novos dados que possam dar maior segurança para os próximos passos.
“A próxima leitura de inflação poderá alterar esse cenário, mas dada a predileção do Fed pelo mandato de emprego e as afirmações recentes de membros do comitê de que a taxa de juros está muito próxima da neutra, esperamos que o Fed não corte na reunião de janeiro”, previu.
Na opinião de Rafael Yamano, economista sênior da SulAmérica Investimentos, os dados de emprego nos Estados Unidos trouxeram sinais contraditórios: a criação de vagas ficou abaixo do esperado (50 mil ante 70 mil), enquanto a taxa de desemprego veio menor do que o consenso (4,4% contra 4,5%).
“Atualmente, a taxa de desemprego tem maior relevância para o mercado, em razão das incertezas sobre o nível efetivo de imigração no país e, consequentemente, sobre qual seria o nível de ‘payroll de equilíbrio’. Além disso, o principal receio do banco central era a forte alta recente desse indicador, que passou de 4,1% em junho para 4,6% em novembro. Vale destacar que o dado de novembro foi revisado para baixo, para 4,5%.Esse nível de desemprego mais baixo fortalece os argumentos da ala hawkish do Fomc para postergar novos cortes de juros.”
The post Payroll de dezembro sugere que Fed pode “pular” reunião de janeiro e manter juros appeared first on InfoMoney.