A Petrobras (PETR3;PETR4) informou nesta segunda-feira (27) que reduzirá na terça-feira os preços de venda de gasolina A para as distribuidoras em 5,2%, para uma média de R$ 2,57 por litro, em um momento em que os valores locais estavam mais altos ante o mercado internacional.
A companhia afirmou também que a redução será equivalente a R$ 0,14 por litro, acrescentando que desde dezembro de 2022 os preços de gasolina para as distribuidoras foram reduzidos em R$ 0,50/litro. De acordo com dados da Petrobras, foi o terceiro corte seguido no preço da gasolina. O último havia sido em outubro do ano passado, quando a redução foi de 4,9%.
A diminuição do valor foi anunciada em momento em que o preço da Petrobras operava 8% acima da paridade de importação, de acordo com dados do site da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Essa conjuntura favorecia importações do combustível, colocando maior concorrência para a Petrobras.
“Apesar da estabilidade no câmbio, os preços de referência da gasolina e, principalmente, do óleo diesel apresentaram valorização no mercado internacional no fechamento do dia útil anterior, o cenário médio de preços está acima da paridade para a gasolina e abaixo dela para o óleo diesel”, conforme avaliação da Abicom em seu site.
Bolsas dos EUA começam a semana sem direção
Para o diesel, neste momento, a Petrobras está mantendo seus preços de venda para as distribuidoras, segundo comunicado.
Olhando para as ações, os analistas do Itaú BBA veem um impacto neutro. “O ajuste era amplamente esperado, embora a magnitude tenha ficado ligeiramente abaixo das expectativas. Desde o final de novembro, a diferença entre os preços domésticos da gasolina e o preço da paridade internacional (PPI) aumentou e persistiu, levando os investidores a anteciparem uma possível revisão em breve”, aponta.
Com base nas estimativas do banco, os preços domésticos da gasolina da Petrobras estavam cerca de 10% acima do PPI antes do ajuste de hoje, o que sugere que a revisão (-5%, ou R$ 0,14/litro) foi um pouco menor do que o previsto. Após o ajuste, os preços domésticos devem ficar aproximadamente 5% acima do PPI, de acordo com
os cálculos. “É importante observar que a empresa pode avaliar os parâmetros de sua estratégia comercial de forma diferente das nossas estimativas”, pondera.
O Goldman Sachs também vê, após o corte, um preço da gasolina no mercado interno cerca de 5% a 8% acima do PPI (essencialmente em linha com o prêmio médio dos últimos 12 meses), enquanto os preços locais do diesel permanecem essencialmente em linha com a referência internacional.
Do ponto de vista da rentabilidade, calcula que os spreads (diferença de preço entre o petróleo bruto e seus produtos refinados) de refino da gasolina estejam agora em torno de US$ 12/barril, enquanto os spreads de refino do diesel estão em torno de US$ 32/barril (ambos os spreads, na visão do banco, em níveis relativamente saudáveis para os padrões históricos).
“Para a Petrobras, vemos o anúncio de hoje como um passo em direção à convergência entre os preços locais e a referência internacional. Além disso, os spreads de refino permanecem em níveis saudáveis. Para os distribuidores de combustíveis, as notícias de hoje podem gerar perdas de estoque para as empresas que acompanhamos, pressionando ligeiramente as margens do primeiro trimestre”, avalia.
Olhando para a inflação, a Warren Investimentos projeta uma redução de de 1,54% na bomba ou R$ 0,09, com impacto total negativo no IPCA de 0,08%. “Não esperávamos este movimento, com isso a nossa projeção do ano sai de 4,50% para 4,40%”, avalia.
“Vamos incorporar no IPCA-15 de fevereiro uma variação de -0,90%, no IPCA cheio -1,21% e -0,56% no IPCA-15 de março”, afirmam Andréa Angelo e Lais Camargo, especialistas em inflação da Warren Investimentos.
The post Petrobras: como as ações e a inflação devem reagir após o corte do preço da gasolina appeared first on InfoMoney.