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Bessent apoia reconsideração da meta de inflação de 2% do Fed
23 de dezembro de 2025
Confiança na construção recua ao menor nível desde maio de 2021, aponta FGV
23 de dezembro de 2025
Published by on 23 de dezembro de 2025
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A prévia da inflação oficial, divulgada nesta terça-feira (23), confirma que o Brasil encerrará 2025 com o IPCA dentro do limite de tolerância, mas com um “porém” que incomoda o Banco Central: a persistência dos preços em serviços. 

Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) apontaram alta de 0,25% em dezembro, uma leve aceleração frente a novembro, quando o avanço foi de 0,20%. No acumulado do ano, a alta foi de 4,41%, abaixo do limite de tolerância, que é 4,5%, mas longe da meta, de 3%. 

Mês/AnoIPCA-15Dezembro de 20250,25%Novembro de 2025 0,20%Dezembro de 2024 0,34%Acumulado no Ano4,41%

Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, afirma que a projeção da inflação em 2025 vai se manter abaixo da banda superior da meta, porém com um qualitativo “que não corrobora com esse cenário.”

O entrave para o corte da taxa de juros, a Selic, é a inflação de serviços. Diferente dos alimentos, que oscilam conforme a safra, os serviços são influenciados pelo mercado de trabalho aquecido e demoram a ceder. Esse cenário divide o mercado: enquanto parte dos analistas ainda aposta em queda de juros em janeiro, cresce o coro dos que veem espaço para cortes apenas em março.

Leia também: Selic vai cair em 2026. Como se preparar e onde investir com queda de juro

Para Gustavo Gonzaga, economista-chefe da Necton Investimentos, o resultado do IPCA-15 reforça a cautela do BC e reforça a visão para corte da Selic apenas em março.

“Pior do que o esperado em termos de composição, a última leitura de IPCA-15 do ano frustra, mas não chega a colocar em risco a tendência de desinflação vista até aqui”, afirma. “Se não sugere uma interrupção da tendência benigna registrada até o momento, o número divulgado há pouco também não empolga – e, justamente por isso, não altera o plano de voo sinalizado nas entrelinhas pela (ainda bastante cautelosa) autoridade monetária em suas comunicações oficiais recentes, corroborando o call de corte de juros apenas em março”, diz.

Fonte: IBGE

Foco nos números

Segundo André Valério, economista sênior do Inter, o grupo de Transportes foi o principal vilão, impulsionado pelo salto de 12,71% nas passagens aéreas — um movimento sazonal típico de férias, mas que pesou no índice. Por outro lado, a energia elétrica residencial trouxe um alívio com deflação de 0,22%.

Ele destaca que dos 9 grupos pesquisados, 7 tiveram alta, com destaque para o grupo de Transportes, com alta de 0,69%, puxado pela Passagem Aérea, com alta de 12,71%. Além disso, Combustíveis subiram 0,26%, revertendo período de deflação recente. 

Em Habitação, houve alta de 0,17%, apesar da deflação de 0,22% em energia elétrica residencial. Outro destaque, diz Valério, é a aceleração em Alimentação e Bebidas, que saiu de 0,09% em novembro para 0,13% em dezembro, sendo que a alimentação em domicílio continua em deflação. 

O único grupo com deflação significativa foi o de Artigos de residência, devido à deflação em eletrodomésticos.

Leia também: Pressão em alimentos, serviços, e gastos públicos vão ditar o tom da inflação em 2026

Projeção

Para Leonardo Costa, economista do ASA, o IPCA de dezembro deve ficar próximo da projeção, de +0,31%.

Matheus Pizzani, economista do Picpay, destaca que apesar da forte presença de fatores sazonais, a ausência de elementos que forneçam uma perspectiva mais positiva para o desempenho do IPCA, especialmente no caso dos preços de serviços, não altera o cenário prospectivo para inflação e a política monetária. “Neste sentido, nossa projeção para o IPCA em 2025 segue em 4,4%, ainda dentro do limite superior estabelecido pelo Regime de Metas para Inflação (RMI), enquanto o início do ciclo de corte de juros tem como início o mês de março”, afirma

Para Valério, do Inter, a expectativa é de um primeiro trimestre de 2026 com inflação mais fraca, especialmente comparado ao 1° trimestre de 2025, o que levará a uma desinflação mais acentuada no acumulado em 12 meses, abrindo espaço para o início dos cortes na Selic no 1° trimestre. “Ainda vemos como provável o início em janeiro, mas dada a cautela do Copom, não descartamos que o BC opte por retardar o início para a reunião de março”, diz.

Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, avalia que o processo de desinflação com resiliência da inflação de serviços mantém o BC em “posição desconfortável” para iniciar corte de juros. “Mesmo dependente dos dados a serem divulgados, acreditamos que será necessário a desaceleração da inflação de serviços para que o ciclo de corte de juros se inicie em janeiro. Por enquanto, nossa expectativa é de corte em janeiro, mas é necessário que a inflação de serviço e os dados de mercado de trabalho arrefeçam na margem”, afirma

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