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Minério de ferro recua com reavaliação da demanda da China e cautela com regulação
3 de fevereiro de 2023
Vale (VALE3): prévia operacional, recuo do minério e real mais forte levam à queda de 9% da ação em cinco dias
3 de fevereiro de 2023
Published by on 3 de fevereiro de 2023
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A produção industrial brasileira ficou estável (0,0%) em dezembro ante novembro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador veio exatamente dentro do esperado pelo consenso Refinitiv, que apontava para variação nula.

No indicador acumulado no ano, o setor acumulou queda de 0,7% em 2022. Em 2021, havia fechado com alta de 3,9%.

Com o resultado, a indústria brasileira encontra-se 2,2% abaixo do patamar pré-pandemia da covid-19 (em fevereiro de 2020) e 18,5% abaixo do nível recorde da série, de maio de 2011.

Tendência negativa

O IBGE destacou que a queda de 2022 veio precedida de uma alta em 2021, mas anteriormente, a indústria havia registrado duas quedas seguidas, em 2019 (-1,1%) e 2020 (-4,5%).

Segundo André Macedo, gerente da pesquisa, a indústria tem comportamento predominantemente negativo nos últimos anos. “Muito do crescimento de 2021 tem relação direta com a queda significativa de 2020, ocasionada por conta do início da pandemia. Avançou em 2021, mas foi influenciada por uma base baixa de comparação e não superou as perdas de 2020”, ponderou.

Ao longo do ano de 2022, o setor industrial respondeu às medidas de incremento da renda patrocinadas pelo governo federal, como a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas, liberação do FGTS, adoção de medidas de estímulo ao crédito, Auxílio-Brasil e auxílio concedido aos caminhoneiros, entre outros.

“Ao longo do segundo semestre, essa resposta perdeu fôlego e a indústria teve um comportamento de menor intensidade e com maior frequência de resultados negativos”, afirmou Macedo.

O recuo da indústria nacional também foi atribuído a fatores como a taxa de juros em elevação (que afeta diretamente os custos do crédito), além da inflação, principalmente dos alimentos, que impacta na renda das famílias e, por consequência, no consumo, listou o pesquisador.

“Também há influência do aumento nas taxas de inadimplência e de endividamento. E o mercado de trabalho, que embora tenha mostrado clara recuperação ao longo do ano, ainda se caracteriza pela precarização dos postos de trabalhos gerados”, completa.

Disseminação

A queda em 2022 atingiu todas as quatro grandes categorias econômicas, além da maioria dos ramos (17 de 26), dos grupos (54 de 79) e dos produtos (62,4% dos 805 pesquisados). “É um perfil disseminado de recuo, que demonstra que a indústria nacional viveu, em 2022, uma retração que atinge diferentes grupos e segmentos da produção”, disse Macedo.

De acordo com a pesquisa, a maior influência negativa veio do setor de indústrias extrativas (-3,2%), puxado pelo minério de ferro. Outros segmentos também se destacaram, como produtos de metal (-9%), metalurgia (-5%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-10,7%) e produtos de borracha e de material plástico (-5,7%).

Por outro lado, entre a minoria das atividades com expansão na produção no ano, a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que registrou alta de 6,6%, exerceu a maior influência positiva.

“Trata-se de um setor que manteve comportamento positivo ao longo de 2022, impulsionado, principalmente, por produtos com maior ligação com a mobilidade”, exemplifica o pesquisador. “Por fim, cabe lembrar também que é um setor que havia recuado em 2021 (-0,7%), ou seja, partiu de uma base menor de comparação”, afirmou Macedo.

Dezembro ante dezembro

Na comparação com dezembro do ano anterior, a produção industrial caiu 1,3%, com resultados negativos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 18 dos 26 ramos, 45 dos 79 grupos e 57,8% dos 805 produtos pesquisados.

Entre as grandes categorias econômicas, a maior queda foi verificada em bens de consumo duráveis (-5,8%), seguida de bens intermediários (-2,6%). As categorias de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis, por outro lado, avançaram  3,1% nessa comparação. Bens de capital também subiram (0,9%) na medição interanual.

 

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