A ligeira queda de 0,1% no volume de serviços no Brasil em novembro, divulgada nesta manhã pelo IBGE, confirma uma perda de dinamismo do setor nos últimos meses de 2025 – foi a primeira retração após nove meses seguidos de alta – mas o segmento permanece robusto na comparação com o ano anterior. A avaliação dos economistas é que permanecem as pressões inflacionárias de serviços, o que deixa o Banco Central confortável para manter a Selic nos atuais 15% anuais em sua reunião de 27 e 28 de janeiro.
Ante novembro de 2024, os serviços estão 2,5% mais altos e o crescimento acumulado em 2025 é de 2,7%.
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André Valério, economista sênior do Inter, destaca em sua análise que, das cinco atividades pesquisadas em novembro, apenas duas apresentaram variação positiva: os serviços profissionais avançaram 2,8%, terceira alta consecutiva, enquanto o grupo de Outros serviços também apresentou alta, de 0,5%. Ele pondera, no entanto, que esses últimos são serviços mais utilitários, pouco relacionados ao ciclo econômico.
Por outro lado, os serviços de transportes recuaram 1,4% em novembro, enquanto os serviços de informação e comunicação recuaram 0,2% no mês – esses últimos representam quase 50% do crescimento observado no setor de serviços como um todo em 2025.
Já os serviços prestados às famílias ficaram estáveis, indicando menor dinamismo no lado da demanda, o que fica mais evidente na comparação anual, com os serviços prestados às famílias recuando 1% devido a menor receita de restaurantes, hotéis e espetáculos.
“O resultado de novembro reafirma a tendência de desaceleração na atividade econômica em meio às condições financeiras adversas. Ainda assim, a robustez do setor permanece, com o setor de serviços 20% acima do nível pré-pandemia e apenas a 0,1% de distância do recorde da série histórica”, pondera Valério.
Assim, o economista do Inter diz ainda ver a inflação do setor pressionada, tendo encerrado 2025 com alta de quase 6%, praticamente o dobro meta de 3% perseguida pelo BC. “Com isso, apesar dos sinais de desaceleração, a dinâmica ainda deve manter o banco central cauteloso na reunião de janeiro, adiando o corte para a reunião de março”, prevê.
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Na análise da XP, o setor terciário continuará em tendência de alta, apesar dos sinais mistos entre seus componentes. “O setor de serviços continuará impulsionando a economia doméstica. O aumento da renda real do trabalho e as medidas de estímulo econômico provavelmente manterão o setor em ascensão. Prevemos que a receita total do setor de serviços aumente 2,5% em 2026, após um avanço de 2,7% em 2025”, estima.
Na opinião de Claudia Moreno, economista do C6 Bank, mesmo com o leve recuo em novembro, o setor de serviços continua sólido, tendo contribuído para sustentar o crescimento da economia em 2025. “Nossa projeção é de que o segmento tenha terminado o ano com expansão um pouco acima de 2,5%, impulsionado pelas medidas promovidas pelo governo, como o estímulo à concessão de crédito e o aumento de gastos”, diz.
Claudia diz ainda que os números da PMS não mudaram a projeção do C6 Bank de que a taxa Selic vai ser mantida em 15% na próxima reunião do Copom, no final de janeiro. “Acreditamos que o ciclo de cortes deve começar em março, com os juros chegando a 13% no fim de 2026.”
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, por sua vez, destaca que os serviços prestados às famílias ficaram praticamente estáveis em novembro, enquanto os serviços às empresas seguiram em crescimento, sustentando o desempenho do setor como um todo. “Ainda assim, vale destacar que o indicador já apresenta alguns sinais de enfraquecimento em um segmento que tem sido um dos principais motores da economia”, pondera.
Segundo ela, o dado corrobora a avaliação de desaceleração gradual da atividade que o BC vem comunicando. No entanto, isoladamente, não parece suficiente para neutralizar a mensagem de um mercado de trabalho ainda mais forte. “O número reforça o “plano de voo” atual, com o cenário do Focus indicando início dos cortes apenas em março. De todo modo, a confirmação de uma desaceleração da atividade contribui para reduzir a cauda mais ‘hawkish’, que apontava para uma possível postergação dos cortes para além desse período”, afirma.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, observa que houve retrações em componentes com maior sensibilidade ao grau de ociosidade da economia e dos gastos privados, casos dos subgrupos de Outros serviços prestados às famílias (-2,6%), uma proxy relevante para o nível de demanda agregada. O mesmo acontece com os Serviços administrativos e complementares (-0,4%), que cumpre papel semelhante ao anterior, ainda que focado no nível de demanda das empresas do setor privado.
“Em ambos os casos, não apenas houve uma queda na margem de seus respectivos resultados como também a consolidação da trajetória de desaceleração iniciada em outubro, sinalizando um ritmo de consumo de serviços mais equilibrado ao longo do período”, explica.
Para ele, mantida a perspectiva para os componentes estruturais, a tendência é de consolidação da perda de dinamismo já observada em novembro, “com o setor sendo o principal responsável pela acomodação do ritmo de crescimento ao longo do primeiro semestre deste ano e, consequentemente, maior equilíbrio do hiato do produto”.
Já a opinião de Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, é que, apesar do resultado abaixo do esperado, o dado divulgado hoje “parece refletir mais uma normalização após um período de crescimento mais intenso do que, propriamente, um sinal contundente de fraqueza da atividade no setor.”
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