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Para a Fiesp, pacote de contingência demonstra compromisso com setores produtivos
13 de agosto de 2025
Alckmin: drawback para empresas será prorrogado por mais 1 ano; Reintegra está sendo estendido
13 de agosto de 2025
Published by on 13 de agosto de 2025
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O plano de apoio aos setores afetados pelo tarifaço dos EUA, anunciado pelo governo nesta quarta-feira (13), acerta em oferecer medidas de curto prazo para empresas impactadas pela medida, mas vai exigir atenção na velocidade de repasse dos recursos e no cuidado em não tornar permanentes as medidas que são emergenciais, avaliam economistas.

Além disso, o plano não deve excluir os esforços do governo em seguir tentando negociar com os Estados Unidos uma redução da alíquota de 50% para os setores que não foram beneficiados pela lista de exclusão. 

Foco no curto prazo

Para Jorge Ferreira, doutor em administração, especialista em Economia Internacional e professor na ESPM, as medidas anunciadas concentram os recursos no curto prazo, o que é um acerto para dar liquidez às empresas afetadas, na sua avaliação.

O plano inclui a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para as empresas impactadas, desde que elas se comprometam a manter os empregos, e prorroga por um ano o regime de drawback, que suspende os impostos de importação para a cadeia produtiva dos produtos exportados.

Saiba mais: Governo assina MP de R$ 30 bi contra tarifaço dos EUA: veja as medidas ponto a ponto

“O lado bom desse enfoque é concentrar os recursos no curto prazo para dar liquidez às empresas. Mas o diferimento de impostos no Brasil costuma ser um procedimento burocrático e oneroso, que demanda algum nível de profissionalização por parte do exportador. Um exemplo dessa burocratização é o drawback”, afirma Ferreira.

Jackson Campos, especialista em comércio exterior, também avalia que as medidas trazem um bom alívio em curto prazo, combinando apoio ao setor produtivo, preservação de empregos e abertura de mercados. 

“Medidas como crédito com taxas acessíveis, prorrogação de prazos fiscais e estímulo a exportações ajudam a dar fôlego imediato às empresas mais afetadas. Ao condicionar linhas de crédito à manutenção de postos de trabalho, a iniciativa também preserva a base social e econômica”, avalia.

Leia também: Trump quer “destruir multilateralismo”, mas Brasil buscará mais a China, diz Lula

Velocidade nos repasses

No entanto, o plano só terá sucesso se houver celeridade no repasse de recursos nas linhas de financiamento, avalia Ferreira. 

Desta forma, as empresas terão acesso rapidamente ao crédito e poderão se reestruturar enquanto buscam novos mercados.

Impacto fiscal

Na avaliação de André Valério, economista sênior do Inter, o pacote de medidas veio dentro do esperado, mas vai exigir atenção para o impacto fiscal. “[Precisaremos ver] se de fato serão transitórias, uma vez que a situação fiscal já é frágil”, avalia.

“A criação de uma linha de crédito subsidiada em meio ao aperto monetário realizado pelo Copom pode minar os esforços da política monetária”, diz Valério.

Segundo ele, o volume de recursos anunciado não é grande o suficiente para gerar distorções significativas, mas o risco é que haja perpetuação das medidas. “Elas poderiam se tornar mais uma forma de política industrial, criando mais distorções e, potencialmente, impactando a condução da política monetária via incerteza fiscal e crédito subsidiado”, diz o economista.

Diálogo com os EUA

Apesar de o pacote ter sido avaliado positivamente, o anúncio não deve tirar do foco do governo os esforços em tentar manter o diálogo aberto com os Estados Unidos para reduzir a tarifa de 50%, avalia Ferreira.

“Além do pacote, seria necessário o governo atuar em duas frentes: insistir na abertura de negociações com a gestão Trump e atuar fortemente na busca de novos mercados”, afirma.

Isso porque, caso o apoio precise se estender por mais tempo, poderá haver impacto significativo nas contas públicas, segundo Ferreira.

Jackson Campos também defende o diálogo com os EUA. “No curto prazo, é um alívio importante, mas o sucesso dependerá de um diálogo firme com os EUA e da capacidade de transformar essas ações emergenciais em políticas de médio e longo prazo”, analisa.

“Se os Estados Unidos não se mostram abertos ao diálogo neste momento, o cenário é mais desafiador e exige que o Brasil concentre esforços para influenciar indiretamente, mobilizando setores da economia americana que dependem dos produtos brasileiros e que já demonstraram insatisfação com o tarifaço. Essa pressão interna nos EUA pode abrir brechas para conversas no futuro”, diz Campos.

Leia também: Busca por novos mercados é tão importante quanto apoio a setores, diz Sergio Vale

Governo anuncia apoio a setores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou Medida Provisória com as ações durante cerimônia no Palácio do Planalto com a presença também do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, e dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, do Senado, Davi Alcolumbre, além de representantes de entidades do setor produtivo.

Durante a cerimônia, ele falou que vai procurar outros destinos para os produtos brasileiros. “Ao invés de ficar chorando aquilo que nós perdemos, vamos procurar ganhar em outro lugar. Se os Estados Unidos não querem comprar, nós vamos procurar outro país”, disse.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil vive uma situação “inusitada” ao ser alvo de sanções comerciais impostas por um país que, segundo ele, mantém superávit expressivo na relação bilateral e não teria justificativa econômica ou política para a medida. “Estamos sujeitos a uma retaliação injustificável do ponto de vista político e econômico, infelizmente com o apoio de alguns setores radicalizados da sociedade brasileira”, disse.

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