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BCE pode cortar taxas se o euro continuar a subir, diz banqueiro central austríaco – relatório
28 de janeiro de 2026
Iene fraco e escassez de mão de obra são fundamentais para momento de alta de juros pelo BC do Japão, mostra ata
28 de janeiro de 2026
Published by on 28 de janeiro de 2026
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O mercado brasileiro deve acompanhar com atenção, nesta quarta-feira (28), a decisão sobre a política de juros do Banco Central. Apesar de algumas casas já verem espaço ainda em janeiro para o corte do juro, que está em 15%, as apostas para o início da flexibilização nesta reunião perderam força. O mercado já passou a precificar uma redução em março – com algumas instituições projetando corte apenas em abril.

Além do início da redução de juros, o ritmo de cortes deve ditar a economia neste ano. Para isso, o Copom ficará de olho em dados de inflação, mercado de trabalho, atividade econômica e, principalmente, na perspectiva de corte de gastos do governo em 2027 a partir de reformas fiscais, tema que deve aparecer nas propostas dos candidatos na eleição.

Ritmo de corte

Para a XP, os cortes começam em março, e serão seguidos por cinco cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual, até a reunião de setembro, seguido por pausa em novembro e dezembro, chegando ao fim de 2026 em 12,5%.

Já o JP Morgan também projeta que o ciclo de cortes começa em março, em 0,50 ponto percentual. Mas antevê que o ritmo de cortes deve ser de 1 ponto percentual por trimestre, o que daria seis cortes consecutivos até chegar a 11,50% no fim do ano. 

Leia também: Juros caem e eleições se aproximam: especialistas revelam apostas quentes do mercado

Para o Itaú, o corte começa em março, com 0,25 ponto percentual, chegando a 12,25% ao fim de 2026 – uma redução de 2,75 pontos percentuais.

Até quanto a Selic vai cair?InstituiçãoProjeção ao fim de 2026Banco Pine11,50%JP Morgan11,50%Bradesco12,00%Boletim Focus12,25%Itaú12,25%Rio Bravo Investimentos12,25%XP12,50%Blue3 Investimentos13,25%

As palavras do comunicado

Em buscas de pistas sobre como o Copom deverá reagir aos dados da economia, o mercado ficará de olho nas expressões usadas no comunicado e na ata da reunião. 

O JP Morgan avalia que é “improvável” que o Copom cite o momento, o ritmo ou a extensão do ciclo de flexibilização, mas deve reconhecer a atividade econômica em desaceleração, embora não muito fraca, e a redução das pressões inflacionárias desde a última reunião.

Para a XP, é esperado que a política monetária siga “contracionista”, mas não “significativamente contracionista”, como vem sendo usado nos comunicados mais recentes. É esperado também que a expressão “resiliência” da atividade econômica seja retirada, mantendo a redação “desaceleração apenas gradual da atividade econômica”.

O banco Daycoval afirma não esperar “sinalização explícita” de corte de juro já em março, reforçando o cenário de cautela.

‘Horizonte relevante’: os dados da inflação por trás dos juros

A decisão do Copom vai se basear em dados já divulgados e nas projeções dos dirigentes para o horizonte relevante, que é o terceiro trimestre de 2027. É neste período estendido que a autoridade monetária tenta converter a inflação à meta. 

Este horizonte à frente é o tempo estimado para que as decisões da política monetária sejam transmitidas aos preços – ou seja, a decisão tomada agora não vai impactar a inflação do primeiro semestre de 2026. O foco está à frente.

Para isso, será preciso reduzir a inflação para algo próximo à meta, de 3%. Em 2025, a inflação fechou o ano com alta de 4,26%, ficando dentro da margem de tolerância, que é de até 1,5 ponto percentual.

Até a última reunião, em dezembro, a projeção de inflação no horizonte relevante era de 3,2%. Para o Bradesco e o Itaú, o Copom não deve mudar esta análise. Os bancos esperam que a projeção se mantenha em 3,2%. Já a XP avalia que há espaço para reduções. A expectativa é que ela irá ceder para 3,1%, segundo a instituição. 

Para o Bradesco, a moderação da atividade, da inflação e das expectativas de inflação oferecem condições para o início do ciclo de corte de juros, mas a cautela do BC deve prevalecer. 

Leia também: O que esperar da inflação de Serviços em 2026? Preços devem desafiar o IPCA

Instabilidades eleitorais: o custo inflacionário das urnas

Roberto Simioni -Economista Chefe da Blue3 Investimentos, destaca que previsões de variáveis como juros, inflação, câmbio ou crescimento econômico são “desafiadoras” em anos com instabilidades geopolíticas e processos eleitorais, como é o caso de 2026.

Para ele, a expectativa de corte da Selic reflete um processo de ancoragem das projeções de mercado. Neste contexto, a disciplina fiscal (controle de gastos públicos) se torna “condição essencial” para a política monetária. “Déficits primários elevados ou mesmo a percepção de fragilidade fiscal reduzem a eficácia da Selic como instrumento desinflacionário, ampliam o prêmio de risco e intensificam o pass-through cambial, adicionando pressão sobre os preços internos”, diz.

Leia também: Populismo de Trump catapulta o Brasil na visão de investidores globais

Na mesma linha, José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos, afirma que a maior preocupação econômica em ano eleitoral é a flutuação do câmbio, que interfere na inflação. Isso pode ocorrer com o fluxo de investimento estrangeiro do país. 

Isso ocorre porque o Brasil tem uma conta-corrente financiada por operações de carry trade, onde investidores pegam dinheiro emprestado em moedas com juros baixos e aplicam em títulos brasileiros, com juros altos. Dependendo das perspectivas eleitorais, esses investidores podem retirar o dinheiro do Brasil rapidamente, causando uma forte depreciação do câmbio – ou seja, desvalorizando o real e valorizando o dólar, o que torna os preços internos mais caros.

Segundo Alfaix, historicamente os meses mais voláteis em ano de eleição são entre abril e julho, quando são definidos os nomes que vão entrar na corrida das urnas. Até lá, o Copom deve observar o ritmo de corte e a inflação para 2027, a depender das variáveis eleitorais.

The post Tendência é Copom manter juro hoje e cortar a partir de março, mas a que ritmo? appeared first on InfoMoney.

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