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17 de dezembro de 2025
Published by on 17 de dezembro de 2025
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Às 22h da última terça-feira (16), enquanto boa parte do país já se preparava para encerrar o dia, um sinal de alerta foi disparado dentro de uma das estatais mais antigas e simbólicas do Brasil: os Correios.  

Trabalhadores da estatal começaram uma greve por tempo indeterminado, resultado de meses de negociações frustradas, acordos prorrogados e uma crise financeira que deixou de ser apenas contábil para se tornar política, trabalhista e social.  

A paralisação foi aprovada em assembleias locais e entrou em vigor ainda na noite de terça. Pelo menos 12 sindicatos, em 9 Estados, iniciaram a greve imediatamente, enquanto outras 24 agremiações permanecem em estado de greve, com indicativo de paralisação a partir do dia 23. 

O movimento atinge bases importantes como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba. Em São Paulo, a decisão foi tomada contra a orientação da direção sindical estadual. 

O que dizem os Correios  

A estatal afirma que todas as agências seguem abertas e que a adesão à greve é parcial e localizada. Os Correios dizem ter adotado medidas contingenciais para garantir a continuidade dos serviços considerados essenciais.  

“A empresa está empenhada na construção de um consenso com as representações dos trabalhadores, sob a mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST)”, informou a estatal por meio de nota. 

Na prática, isso significa operação reduzida em algumas regiões, redistribuição de equipes e priorização de serviços básicos. 

Por que os trabalhadores decidiram parar  

Segundo Emerson Marinho, secretário-geral da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), a greve é consequência direta da postura da administração da estatal durante as negociações.  

“Esse movimento tem estressado os trabalhadores e, embora o indicativo da categoria fosse de paralisação no dia 23, algumas entidades optaram por iniciar a greve imediatamente para sinalizar ao governo o descontentamento”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo. 

O indicativo inicial da categoria era iniciar a paralisação no dia 23. No entanto, algumas entidades optaram por antecipar a greve como forma de pressionar o governo e a direção dos Correios.  

“Foi uma sinalização clara de descontentamento”, disse Marinho.  

Negociações travadas desde julho  

O centro do conflito é o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O acordo anterior, negociado ainda pela gestão passada, venceu em julho e vem sendo prorrogado desde então, sem que um novo texto tenha sido fechado.  

Desde a semana passada, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) atua como mediador das reuniões entre sindicatos e a direção da estatal. Até agora, porém, não houve acordo.  

Segundo a Fentect, novas reuniões com representantes do governo federal devem ocorrer ainda hoje.  

Sindicatos em greve 

As paralisações foram aprovadas após assembleias locais e já atingem:  

Sintect/MG 

Sintcom/PR 

Sintect/PB 

Sintect/VP (São José dos Campos – SP) 

Sintect/RS 

Sintect/SC 

Sintect/CE 

Sintect/MT 

Sintect-CAS (Campinas-SP) 

Sintect/RJ 

Sintect/SP 

Sintect/Santos 

Outras bases mantêm o indicativo de greve a partir do dia 23, caso não haja avanço nas negociações.  

O que os trabalhadores exigem  

A pauta de reivindicações inclui reajuste salarial e reposição da inflação, e manutenção de benefícios históricos, como: 

adicional de 70% nas férias 

pagamento de 200% nos finais de semana 

concessão do chamado “vale-peru”, um benefício de fim de ano no valor de R$ 2.500  

Segundo os sindicatos, esses pontos são essenciais para recompor perdas acumuladas e preservar direitos conquistados ao longo de décadas.  

Do outro lado da mesa, a direção dos Correios argumenta que não há espaço financeiro para atender às demandas. A situação da estatal é, de fato, delicada. Até setembro, os Correios acumulavam um prejuízo de R$ 6,1 bilhões em 2025. 

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